quinta-feira, 29 de julho de 2010

Do amor

O amor é veneno. Amar deixa o mais soturno dos humanos ébrio. Eu, que costumava medir minha postura, conter meus gestos, eu, que costumava falar baixo e respeitar as leis sociais... Amei. E então tornei-me samba, tornei-me o batuque a decibéis ensurdecedores, eu amei e abri os braços, perdi o medo da altura, subi na corda-bamba rindo, deliciando-me de festa, prosa, música. Como amava, pintei as paredes com cores vivas, pendurei fotos na parede, acendi todas as luzes. Mas o homem se trai, me traiu e foi embora, deixando apenas a lembrança da canção, e da festa sobrou a bagunça para eu arrumar, todas essas luzes atrapalhando meus olhos, multas por não ter abaixado o som depois das dez, contas a pagar, copos e pratos e fotos para eu jogar no lixo... sozinha... e ainda hoje vivo amedrontada me equilibrando a 20 metros do chão, de cima dessa corda-bamba, de onde ninguém se dispôs a me tirar... Amor é veneno.

2 comentários:

may disse...

O amor é veneno, mais tambem é o melhor doce e possamos dizer, o pecado mais prazeroso. Amar é permitir-se. Se permitir a voltar a gostar das luzes!

Criar disse...

Muito bom!
O amor é veneno quando não se realiza, quando não é correspondido. Pelomenos uma vez na vida, ou muitas vezes ele é veneno. Mas, quando ele me aceita, quando me quer, é delícia.