sábado, 10 de setembro de 2011

Amor morre na pausa da música.

Na quinta-feira última, o amor finalmente sucumbiu, após meses de intenso tratamento e tentativas repetidas de renovação. Parece que tentaram postergar a perda apertando o pedal direito do piano, mas logo o fôlego acabou e o grito tornou-se suspiro e daí: silêncio. Contrataram o melhor afinador da Escócia, da França e do diabo, mas os especialistas afirmam que o amor não estava desafinado nem desajustado, estava morto mesmo. Os médicos legistas isolaram a área após algumas horas e o corpo amorfo ainda está em estudo. A causa mortis está sendo deliberada: alguns afirmam que o amor foi abatido por uma doença letal, apenas. Outros radicalizam, gritando com cartazes nas ruas que foi homicídio e reivindicando a prisão do culpado. Existe também a ala dos que creem na morte natural: "Velhice, desgaste, são processos que assombram todos os relacionamentos, é cientificamente comprovado. Nos resta questionar apenas o motivo de este ter durado tão pouco tempo", afirma um dos médicos responsáveis pela autópsia, que preferiu não se identificar. O amor vinha se queixando de falhas em seu funcionamento há alguns meses, segundo fontes, mas havia passado por uma alta animadora - que se mostrou momentânea. O corpo inerte foi encontrado na noite da quinta-feira, aparentemente vitimado por falência múltipla. Não havia ninguém no recinto, mas os vizinhos afirmam ter ouvido músicas no piano horas antes. O corpo aguardará no IML (Instituto Médico Legal) por 15 dias até que alguém faça o reconhecimento do corpo e, em caso negativo, será enterrado em vala comum.

3 comentários:

Jaime disse...

Menina, que lindeza!

Película Protetora disse...

"Vou pular em cima de você
E nem vou ligar se você se machucar
E eu sangrar até morrer
Eu vou é pular...
Sabe por quê?
Porque a Unimed é quem vai pagar"






PS: AMEI esse texto.

Anônimo disse...

Há, obviamente, muito para saber sobre isso. Eu acho que você fez alguns bons pontos em recursos também . Continuar trabalhando , ótimo trabalho!