domingo, 9 de janeiro de 2011

Querido,

não sê tão veemente. Sou boa, apesar de tudo... Erro tanto, meu amor, que muitas vezes também me mutilo atrás de perdão. Sou uma daquelas pessoas que nem sempre pensam muito no que fazem. Escrevo a lápis desejando um dia poder apagar tudo. Pena que as lembranças não são como palavras. Lembranças são cicatrizes na parede da alma: duplamente irreparáveis. Não vou me explicar. Sou de difícil interpretação. Ouço músicas de amor mas por vezes o refuto, desejando apenas lascívia. E então peco. Quem me redime? A loba arranhada. A gata morta. A pomba livre. Minha própria essência. Por isso peço que não me condene. Ainda não.

Um comentário:

Victória Resende disse...

"Erro tanto, meu amor, que muitas vezes também me mutilo atrás de perdão." Ah, muito belo. Sem mais.