terça-feira, 16 de março de 2010

A tempo

Ouça: meu coração bate no tique do teu relógio
mas eu não sei lê-lo no teu pulso,
taque
e eu pedindo para você me interpretar as horas
tique
pra você me abraçar,
taque - não me largue no titubear do tempo.

Venha! Mas não perca a hora,
pode ser de você chegar cedo demais
e eu estarei perdida num outro pulso
ou pode ser de você chegar muito tarde
e eu já não vou acreditar em mais nada
e talvez não permita que você entre.

Mas venha,
venha quando puder,
burle as leis do meu mundo
(que ele nem gira no tempo do relógio)
abra as portas: estão apenas encostadas.

Venha, me salve do meu tempo ocioso
das minhas horas de dor
venha, me salve do meu auto-flagelo atemporal
venha... e faça do teu tempo meu tempo.
(que não passará)

Um comentário:

Augusto Faria disse...

"burle as leis do meu mundo."

sem palavras Jú!