terça-feira, 21 de maio de 2013

Sabe, você vai achar estranho, mas eu gosto mesmo é de te observar de longe. Não que não goste da tua companhia... Você vai achar muito esquisito, mas na verdade quando eu te assisto do outro lado do povo e a tua dança nem me percebe, esse é o momento em que você deixa de lado as suas pequenas-mentirinhas-para-me-agradar e então eu te reconheço nesse baile torto e te quero bem.

sábado, 27 de abril de 2013

Quando as facas dos teus dedos desfiaram em mil pedaços a minha pele eu não chorei. Eu já sabia que no fundo da noite os nossos olhos nunca mais; mas mesmo assim quis: quis lavar com o meu próprio sangue as lágrimas tuas e os lábios teus que estavam cansados e tristes... Errei na dose e me deixei sangrar ao redor de nós. E ali olhei nos teus olhos que não refletiam os meus e eu soube que. Palideci. Encharcamos então de sangue, de lágrimas e de cansaço. Nessa hora eu pensei que. O meu sangue já não era meu, e foi quando. Deitei meus cabelos sobre o teu colo como quem suplica.

E você sentiu nojo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

(...) e eu, este bicho arredio, com as patas sujas chafurdei os nossos segredos antigos numa lama impura, num eterno chorume de ressentimento e mágoa. Você se debatia procurando a superfície e eu fui o leão cruel que pateia e dissolve e impede e segura. Meu passarinho tolo, queria cantar o nascer do dia e eu morria de medo da tua luz e por isso apertava o teu bico inocente até você perder o ar e desistir, eu fico em silêncio então meu senhor, nunca mais os dedos contra o piano, nunca mais meu senhor. E eu fugia por dentro do lamaçal, denso de uma vida suja anaeróbia. Se o teu próprio ar é a vida em si, se todo ar que o teu corpo toca é precioso, com que coragem eu poderia poluir o mundo teu com as minhas larvas de cólera,  acuado entre remédios e traições? Com que coragem eu poderia impedir o teu sol com o meu frio noturno? Eu sou o frio de uma noite que não quer terminar. (...)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Eu quero me deitar no ovo desta noite em que você me leva pela mão e eu sou teu bicho: logo eu, que não sou nunca bicho e que fecho sempre as mãos àqueles que me tentam segurar. Logo você sendo um lobo que a qualquer momento pode resolver me sacrificar. Mas não sou tão indefesa assim e afio as unhas no mármore da tua cozinha; é por isso que não tenho medo de me deitar nos teus braços e assistir a lua me despir e uma chuva louca molhar o meu corpo: porque sei que quando eu me levantar, nua, encharcada e selvagem, você sentirá um profundo respeito pelas minhas cicatrizes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Como é isso? Devo te mandar um convite timbrado via correio? Talvez um e-mail descolado te chamando para tomar um... café? Ainda se convida alguém para tomar café? Talvez... não sei, aparecer pela sua vizinhança "sem querer" e quem sabe te ver passando na rua, um aceno breve, oi como você tá nossa quanto tempo tá livre vamo fazer alguma coisa? Não, desse jeito nunca daria certo. Não quero parecer louca. Não agora que já estou quase numa boa de novo. Mas eu queria tanto, tanto te convidar pra conhecer aqui: uma cidadezinha com árvores frutíferas e ao redor os monstros da engenharia moderna, civil. Sei lá, uns dias só: de turista mesmo. Você viria e eu te mostraria os pontos turísticos: a cachoeirinha que ainda não sabe direito se é de rio ou córrego, o campeco onde rola o futebol, o coreto no centrinho perto da igreja que ninguém frequenta e a praça que ninguém visita... um fim de semana já bastava. Queria te mostrar que isso de ser simples é bem simples. Pra você tirar umas fotos. Entende? Eu também não. Só sei disso; você em mim. Curioso por mim. Querendo saber de onde eu vim. Você em mim...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Então você começou cedo com os vícios dos adultos frustrados? Bebe café e fuma cigarros, um em cima do outro, se possível um whisky sem gelo no fim do dia? Vem cá, garoto, o que é que você vai fazer quando tiver 40 anos de idade, nenhuma perspectiva nem porta pra escapar? O que é que você vai fazer, baby? Pílulas pra dormir? Escapismos psicológicos? Você vai voltar a frequentar baladas e consumir ecstasy? Ou vai arregar: overdose faixa preta, uma bala atravessando esse seu cérebrozinho, pulsos cortados cinematograficamente na banheira tingida de vermelho? Hein? Como é que você vai sair da sua banalidade, já que os seus mini-vícios já não terão nenhuma valia? Vai fazer yoga? Massoterapia? Hein, querido? Pra onde é que você vai?

sábado, 19 de janeiro de 2013

Uma desvairada, ela era.
Des-vai-ra-da.
Hot dogs, sushis e cigarros.
Ela poderia te ligar de madrugada, poderia cruzar a paulista correndo, poderia matar os peixes sob os pés. Você espera qualquer coisa da doida.
Mas não.

Ela apenas se deitou e dormiu até o dia seguinte, acordou às oito da manhã e saiu para correr.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Isto não é uma crônica

Éramos só nós dois naquela cama king size, aliás, muito maior do que os nossos corpos, e eu me deitava de sutiã lendo um livro qualquer, Dostoievski, Lispector, Diderot sei lá; enquanto ele fingia que me olhava. Ele estava dormindo, só isso, de olhos abertos ou não, dormindo. Eu soltei os meus cabelos e fiz assim com o braço, para parece mais selvagem. Mais perigosa. Uma risada seca agora. Selvagem? Perigosa? Patética, é claro. Eu estava patética. Livros, cigarros, cabelos soltos. Um ângulo esquisito com os braços. E o homem dormia... Toquei sua pele atrás de um carinho qualquer e ele achou que vamos transar. Transamos e eu só queria que ele não passasse de um personagem fictício de uma história que eu ia escrever, porque assim ele jamais dormiria fingindo me olhar; mas era um homem, real, acenderia um cigarro agora e eu ainda assim, cabelos soltos e ainda virgem, de uma inocência sobre-humana.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Quando um amor antigo apareceu-se-me em sonho e disse que me segurava nas mãos só pra proteger, que era o que eu tinha pedido pro mar, e quando ele ficou ali, com as mãos nos meus olhinhos que choravam... de dentro do sonho eu só quis que o mundo parasse de respirar um pouquinho e a noite demorasse a passar: para que a gente ficasse ali, protegido um pelo outro, um guardando os olhos do outro. É tudo bem, vó, é tudo bem sonhar co'essas coisas?

E a minha vózinha riu de lado, deu um beijo na minha testa e me disse assim "que não existe amor antigo, minha filha. Existe amor, e só."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O passeio dos teus dedos na minha pele deixou marcas como pneus em uma grande estrada: você derrapou pelas minhas curvas como quem procura um abrigo durante a Grande Chuva, mas - ai, amor, preciso falar! - mas sou uma mulher latina e quero bailar!, por isso escorrego entre suas mãos. Você aquaplanou nos meus choros e não conseguiu me parar a tempo. Precisei fugir antes que fosse tarde. Deixei teus labirintos para trás, mas não duvide que amo o teu tango e teu tudo, tua tanta paixão, enfim. Me perdoe a dança desengonçada.

domingo, 4 de novembro de 2012

Querido,

As perguntas que a presença tua me suscitou foram a própria faca cravada num peito que não sabe de resposta alguma; perguntas tais quais: afinal, o que sobrou de mim de lá pra cá? Mudei tanto que não me reconhece? O que disso tudo sou eu? O que de mim ficou em você? O que de nosso resta em nós? O que é teu em mim me é tão precioso que não quero mostrar para ninguém, como o segredo mais bem guardado - o meu amor é o segredo mais bem guardado, me entende? Será que essas perguntas passeiam pela sua cabeça num domingo à tarde?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Querido,

parece banal, mas não é: estou com saudade. O quê? Como assim? Eu explico: parece banal porque muitos já disseram isso antes, para você ou não, de modos inclusive mais belos; mas não é banal porque agora, aqui, na boca do lobo, eu pensei em você: como se o flashback da minha vida, no momento de me entregar ao abismo, fosse a imagem tua. Irônico? Curioso? E eu senti saudade... de quê? Eu me pergunto, de quê? Do teu mistério. Do que te ronda. Da tua presença agridoce. Do amor que eu sou capaz de sentir. E por isso te escrevo, porque essa saudade não cabe mais nos limites do meu corpo e eu preciso conseguir dormir.

Nina,

sabe?
Eu também tenho vontade de gritar! Gritare gritare gritare!
Acontece que o grito não sai. Por isso não podem tocar o plexo solar: ele guincha de angústia. E assim é o meu corpo: uma dor incoberta, secreta, implodida. Eu sou o grito implodido da noite. Eu sou a própria noite - e por isso quando faço barulho todos se assustam. Eu sou a noite calada - e as minhas estrelinhas queimam em silêncio, onde nenhum pode ouvir - podem apenas ver a luz e creem ser indolor. Acontece, menina, que eu não sou indolor! Tenho o plexo em chamas, como as estrelas da noite. Minha alma arde e eu sinto raiva, impotência, medo... mas você não sabe, porque eu não te contei. Pois bem, agora digo. Eu também tenho cortes incuráveis.

sábado, 6 de outubro de 2012

Qual é a distância segura de um abraço? Como não enterrar minha cabeça entre os seus braços e deixar que você me leve para o teu mundo? Se eu realmente desejasse estar de mudança para os seus labirintos, mas e se para você tudo não passar de um pega-pega entre braços e cintura? Até onde podemos ir? Onde é mais seguro: dentro ou fora de você? Eu fico me falando "honestamente, minha filha, onde é que você quer chegar com isso?"
E a resposta que me dou é sempre a mesma: não faço ideia!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

- Por que tão silente?
- Os fantasmas estão num sono leve, muito leve... mesmo se sussurrasse tudo o que desejava te dizer, eles acordariam. Depois de ditas, as coisas se tornam reais. E quem é que cantará as canções de ninar aos meus fantasmas?
(...) você tem a gana de salvar o mundo com as próprias mãos, minha filha, e por isso anda assim: fodida, destrambelhada, sem lugar para se apoiar. Você tem essa arrogância de aspirar a salvar os outros, como se esse seu sorrisinho impotente fosse realmente capaz de ajudar alguém. E eu te digo: não! Não é o suficiente! Esse gosto amargo de cigarro não sai da boca. Você precisa se salvar antes. Ou enquanto. (...)

sábado, 15 de setembro de 2012

Estrela não gostava quando confundiam seu nome com Estela. Ora, Estrela não era histérica.
E Estela é um nome um pouco histérico, convenhamos.

domingo, 2 de setembro de 2012

Estrela e o moletom

Estrela camuflava com lápis pretos (sombras e luzes) um olhar penetrantemente profundo e com cremes diversa juba de leoa. Tudo para não assumir que no fim das contas era mais um dos seres-moletom.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Alma fractal

Eu não sou, embora seja. E o mero ato de aqui estar já basta para que não. Este estar é um eterno cotovelo na costela: estar no lugar dos que são sem ser... um debater-se no silêncio da morte (será o silêncio da morte igual ao silêncio da paz?) sem saber. Teorizo e todos os meus postulados são falsos, incapazes de descrever qualquer realidade. Poderia preencher todas essas folhas com as mentiras que conto. Estou, apesar de não estar. Vivo banhada por um sol seco, que queima o que se aproxima. Sou um sol oco e impermeável - e por isso a solidão é tão bem-vinda... porque sou, apesar de não ser. E porque tenho em mim todos os medos do mundo.

(os sonhos, deixo para Pessoa)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A questão, meus amigos, é que os potes estão sujos embaixo. O que eu quero dizer com isso? Se um pote está encardido de gordura, poeira, com molho grudado, lascas de madeira - e quaisquer outras coisas- na parte inferior, tanto faz em qual mesa vamos apoiá-lo - pode ser a mesa de cirurgia do cardiologista do presidente! Tudo vai continuar imundo. A questão não está na mesa, mas no pote.

sábado, 25 de agosto de 2012

LORENA -Estou cansada não nos sentidos banais da palavra e a sua ausência é como um cotovelo nas minhas costelas.
JOAQUIM - Como assim?
LORENA - Estou cansada, não como quem liga a TV, mas como quem precisa de algo que o ponha em movimento...
Quando penso nos seus 'nãos' e em 'adeus', parece-me que o ar se reduziu a uma pontada fina de dor.
Entendeu?

domingo, 19 de agosto de 2012

Querido,

eu tô tentando, você sabia? Eu estou tentando ser... ser o quê?
Estou tentando ser gente, primeiro de tudo. E ser uma mulher, além de ser gente. Ser uma mulher que não seja uma mera mulher que só é mulher porque tem a estrutura certa pra carregar uma criança dentro da coluna. Tô tentando ser uma mulher capaz de: conversar sobre coisas gerais e explicitar opiniões próprias (capaz de ter opiniões próprias...); ter senso crítico e político; amar muito uma pessoa, a ponto de me rasgar e beber água sanitária em noites de sábado; estar sozinha, plenamente sozinha, sem me esquecer de que ainda assim sou social; viver experiências por elas mesmas, e não para outrem; ter uma inocência mortífera; fazer coisas boas a mim e aos meus; entre outras coisas.
Mas acontece, meu querido, que tudo isso tem sido em vão e eu ainda não consigo sequer olhar nos olhos do outro. Estou distanciada. Não consigo cuidar de você. Não consigo tirar a mente dos meus medos. Estou paralisada. Não consigo estender a mão generosamente. Não consigo pensar em nada que eu precise falar para o mundo. Dos 32 únicos temas universais, não sei dizer uma palavra de quaisquer. E daí que eu comecei a questionar assim para onde é que eu posso ir? Por onde começar a cada vez de novo e de novo? E onde é que estou agora (só sei assim: estou longe.)? E o que é que você espera de mim, eu me perguntava. 

E não tenho nenhuma resposta.

sábado, 11 de agosto de 2012

Está com medo, bicho? Vê seu destino se esvaziando por entre os dedos? Tornou-se mais uma vez uma criatura acuada num canto de sala, um mero espectador da sua própria sorte? Bicho mau, seu bicho mal educado e sem expectativas de melhora! Você sabe que é muito pouco e esse saber te encerra numa jaula hermética? Arreganha os dentes para qualquer um que te oferece uma companhia? Não deixa ninguém entrar, mesmo que seja para te alimentar? Sente que a qualquer momento vai explodir pelos poros, animalzinho doméstico? Está paralisado, como se a própria vida gritasse aos teus ouvidos: REAJA e outras palavras dúbias sobre seguir em frente a qualquer custo, apesar de? Se sente impotente e fracassado por não saber o que quer responder para tudo?


(eu também.)

A Conclusão é a seguinte:

Se você não está
a vida fica muito lúcida
e tão pouco lúdica...
exatamente no mesmo instante em que descobri que ainda não estou morta
e voltei a sentir meu coração pulsando do lado de dentro
(não apenas para me manter biologicamente aqui-agora)
...
me dei conta de que posso morrer a qualquer instante!
: a partir dali todos os motivos que me uniam a ela já não eram mais O Grande Motivo e O Grande Motivo era um outro momento-de-vida (posso colocar nessas palavras?) e significava, mais do que salvar aquele corpo frágil que implorava por ajuda, salvar a minha própria alma e quem sabe merecer o Reino dos Céus Agora e Na Hora da Nossa Morte - e eu, naquele profundo grito egoísta, desejei o rejúbilo e as congratulações por estar ali, no lugar que me havia sido designado quando 'eu' era tão pouco Perto De: Perto De Tudo Que Aquele Momento Exigia. E quando ela se perdeu de mim me dei conta disso tudo, com todas as palavras, eu fui muito pouco em comparação ao que havia passado; e assim, com a alma retornando ao Reino do Fogo e todos os músculos atrofiados de medo (por quem?) chorei por trinta dias e trinta noites até a penúltima lágrima secar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Caixas Pretas

O chão do ator é todo riscado pelas mesas e cadeiras imaginárias que insiste-se em arrastar.
"O nosso problema é que vivemos dentro de quatro paredes pretas..."
O chão do ator é sempre molhado pelo suor de corpos que não temem a escuridão - mesmo porque as paredes são pretas para que dali surja a qualquer momento uma ideia pra se imaginar - e que não temem o silêncio - já que pintamos de preto as paredes do nosso corpo também, para que dali surja a qualquer momento uma ideia para pintar no espaço... Não escorregamos! Não nos esquivamos de nada.
Dentro de alguns negros metros quadrados, nós somos a luz.

domingo, 3 de junho de 2012

Joaquim,

talvez seja a ideia da morte. Porque sempre que alguém nasce nós também pensamos na outra ponta, e a cada natal lembra-se da velha avózinha que fazia os melhores biscoitos e há tempos nos deixou com o gosto da farinha na boca, com o cheiro dos colos e travesseiros mais macios do mundo no corpo e com a certeza de que Deus é mais feliz porque lá em cima está experimentando sua incrível companhia...  Talvez seja porque nem todas as sentenças são terminadas com ponto final, mas aos que bem compreendem a língua esse sinal não é tão necessário... não é que eu queira me explicar, Quim, mas sinto vontade de chorar por todas as palavras que não escrevi. Tenho a impressão de que cada uma delas é uma parte de mim que morreu; que tem morrido sem qualquer chance de escapar. Eu queria te levar para o mirante e tomar chocolate quente enquanto a noite chega, mas essa é uma palavra que eu não escrevi. Sequer falei. Não é que eu queira me explicar, meu amor, mas te ver nascer e te reencontrar bambo das pernas me faz chorar. Eu queria que a minha presença fosse um enorme abraço para você, que te esquentasse e te fizesse crer na sua avózinha que passeia pelo céu,  mas parece-me que estamos sempre à distância de um braço...

http://www.youtube.com/watch?v=dPfgRN4cyXU

domingo, 20 de maio de 2012

Pai,

continuo tendo medo do escuro e essa noite quis levar o colchonete para a beirada da sua cama e dormir aninhada pelo som da tua respiração. Continuo tendo medo do escuro e do silêncio. E por isso distribuo palavras pelo ar, como malabares, e caio apenas em cimas dos colchões.
No fundo eu não mudei tanto assim...

Me permito ser assombrada pelos meus fantasmas

Quando descobri que ao me debater-resfolegar-choramingar todos os olhos da noite se viram para mim, eu permiti e deixei que meu corpo descansasse sobre a sombra. Qualquer sombra. Tuas mãos são duras, mas mesmo assim tentam me acariciar... desta vez não vou ter medo. "Aí vindes outra vez,"! Talvez ao contrário: se meus braços se esticarem na sua direção, tentando alcançar o seu corpo; talvez se eu te convidar para dançar, da treva fiat lux? Por quê fugir do que sou - e o que mais eu sou, o que mais no universo eu poderia ser?, além de um corpo delineado pela própria ausência?
Mais um solilóquio.

"Aí vindes outra vez, inquietas sombras!"