- por que você tem essa obsessão por encontrar alguém que seja A Resposta?
- quem disse?
- o quê?
- da obsessão?
- eu sei, eu te conheço, eu presto atenção em você.
- isso é só papo. eu não procuro a Grande Resposta, mas alguém que faça as mesmas perguntas que eu.
- assim é mais fácil.
- o quê?
- ser essa pessoa!
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
domingo, 8 de setembro de 2013
Querido,
essa semana eu dancei para você. Eu dancei para você no Theatro Municipal. Iluminado; só para você.
Quando começou, eu não soube como ia ser: uma coreografia improvisada... fiquei torcendo para você gostar dessas coisas. E de me ver nesse lugar, preste a me jogar no abismo. Você gosta?
Tudo o que eu queria era te mostrar o ar se movendo pintado com as cores do meu corpo. Te mostrar que a história podia ser outra... muitas outras! Compassos, piruetas, fluxo, e você sentado na primeira fileira do Theatro Municipal. Eu tenho tantas coisas pra te falar. Meu corpo não deu conta de todas elas. Eu dancei e chorei para você ver. Você viu? Você viu a minha raiva e a minha culpa? Viu quando eu supliquei por perdão? Já não sabia se estava dançando ou orando... e precisei dançar aquele último dia: foi a hora que você devia ter vindo, subido ao palco para me dar o último beijo e me mandar ir como quem suplica: fique.
Mas não veio.
Quando a música acabou e eu abri os olhos afogados das saudades, não tinha você na plateia; e nem tinha plateia; e nem tinha Theatro Municipal; nem nada. Só um corpo deitado no chão, repleto de silêncio.
essa semana eu dancei para você. Eu dancei para você no Theatro Municipal. Iluminado; só para você.
Quando começou, eu não soube como ia ser: uma coreografia improvisada... fiquei torcendo para você gostar dessas coisas. E de me ver nesse lugar, preste a me jogar no abismo. Você gosta?
Tudo o que eu queria era te mostrar o ar se movendo pintado com as cores do meu corpo. Te mostrar que a história podia ser outra... muitas outras! Compassos, piruetas, fluxo, e você sentado na primeira fileira do Theatro Municipal. Eu tenho tantas coisas pra te falar. Meu corpo não deu conta de todas elas. Eu dancei e chorei para você ver. Você viu? Você viu a minha raiva e a minha culpa? Viu quando eu supliquei por perdão? Já não sabia se estava dançando ou orando... e precisei dançar aquele último dia: foi a hora que você devia ter vindo, subido ao palco para me dar o último beijo e me mandar ir como quem suplica: fique.
Mas não veio.
Quando a música acabou e eu abri os olhos afogados das saudades, não tinha você na plateia; e nem tinha plateia; e nem tinha Theatro Municipal; nem nada. Só um corpo deitado no chão, repleto de silêncio.
sábado, 25 de agosto de 2012
LORENA -Estou cansada não nos sentidos banais da palavra e a sua ausência é como um cotovelo nas minhas costelas.
JOAQUIM - Como assim?
LORENA - Estou cansada, não como quem liga a TV, mas como quem precisa de algo que o ponha em movimento...
Quando penso nos seus 'nãos' e em 'adeus', parece-me que o ar se reduziu a uma pontada fina de dor.
Entendeu?
JOAQUIM - Como assim?
LORENA - Estou cansada, não como quem liga a TV, mas como quem precisa de algo que o ponha em movimento...
Quando penso nos seus 'nãos' e em 'adeus', parece-me que o ar se reduziu a uma pontada fina de dor.
Entendeu?
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Caixas Pretas
O chão do ator é todo riscado pelas mesas e cadeiras imaginárias que insiste-se em arrastar.
"O nosso problema é que vivemos dentro de quatro paredes pretas..."
O chão do ator é sempre molhado pelo suor de corpos que não temem a escuridão - mesmo porque as paredes são pretas para que dali surja a qualquer momento uma ideia pra se imaginar - e que não temem o silêncio - já que pintamos de preto as paredes do nosso corpo também, para que dali surja a qualquer momento uma ideia para pintar no espaço... Não escorregamos! Não nos esquivamos de nada.
Dentro de alguns negros metros quadrados, nós somos a luz.
"O nosso problema é que vivemos dentro de quatro paredes pretas..."
O chão do ator é sempre molhado pelo suor de corpos que não temem a escuridão - mesmo porque as paredes são pretas para que dali surja a qualquer momento uma ideia pra se imaginar - e que não temem o silêncio - já que pintamos de preto as paredes do nosso corpo também, para que dali surja a qualquer momento uma ideia para pintar no espaço... Não escorregamos! Não nos esquivamos de nada.
Dentro de alguns negros metros quadrados, nós somos a luz.
sábado, 7 de abril de 2012
LORENA - Sabe, Quim, às vezes me olho no espelho e me amo. Amo o jeito do meu sorriso e o meu olhar que pode ser sedutor mas pode ser tão ingênuo...! Eu adoro o toque da minha pele e o roçar das minhas coxas e me sinto linda. Às vezes amo tudo em mim, minha voz e meu jeito de ser irmã, amiga, amante tua ou de qualquer outra pessoa. O que me deixa encafifada é que justamente nesses dias eu sinto uma vontade - não! Não é só vontade, é uma necessidade!! - uma necessidade inadiável de colocar as minhas duas mãos nos fios da rede elétrica...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
LÉO - As amoras vieram... e se foram. As pitangas vieram... e se foram. Mas eu continuo aqui, como sempre caminhando todos os dias sob as mesmas árvores que já estão ansiosas por novas primaveras. Igual aos outros anos, eu. Igual às outras estações. O sabor doce das amoras já sumiu, e o azedo das pitangas continua azedando o pouco que eu podia encontrar de delicioso nos dias. Eu caminho sob as árvores procurando uma última fruta, uma última cor no meio de tanta, tanta monotonia. E nada ou quase nada me aparece: uma caída no chão, esperando a terra a absorver novamente; outra pendendo no galho, mascada por ave ou outro animal mais rápido que eu. E eu, igual a sempre, sem qualquer vida nascendo novamente, aquele velho outono corriqueiro, igual a todos os outros dias, vazio por dentro, por fora, ao redor. Vazio de novo, como eu já esperava que seria.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Cena a dois, para ser encenada em silêncio num. 3
(palco branco. Lorena e Joaquim)
LORENA - Joaquim, você acredita em astrologia?
LORENA - Joaquim, você acredita em astrologia?
terça-feira, 27 de julho de 2010
Cena a dois, para ser encenada em silêncio num.2
(Fim de tarde, beira de um rio. Joaquim e Lorena assistem o ocaso)
LORENA - Olha que lindo, Quim! Hoje eles capricharam no espetáculo! Me parece que as cores no céu querem dançar, estão mais vivas que nós!
JOAQUIM - Nem me fale! Ainda bem que nos permitimos fugir para cá hoje, tiramos a sorte grande de presenciar este pequeno milagre, talvez o pôr-do-sol mais bonito da minha vida!
LORENA - Quim, o que será que define quando acontece algo majestoso como esse sol se decompondo em todos os tons e sobretons do mundo? O que rege as pequenas maravilhas que acontecem no céu? Será a física? Serão deuses pintores, pincelando as nuvens com poesia? Serão os astros, a posição das estrelas no resto do universo?
JOAQUIM - É mesmo... por que temos hoje este desfilar exuberante para assistir e ontem o sol se pôs em silêncio, como se ele - ele mesmo! - estivesse triste? Isto é intrigante...
LORENA - Certa vez me disseram que esse tipo de movimento natural atípico é resultado de um grande amor que acaba de nascer. Ou seja, ao nascer, o amor promover vida até nas nuvens, inspira até o sol, e então presenciamos um fim de tarde como o de hoje. Portanto, se agora estamos vivendo essa magia, é porque há pouco, em algum lugar próximo daqui, acabou de nascer um novo grande amor. O que você acha, Quim?
LORENA - Olha que lindo, Quim! Hoje eles capricharam no espetáculo! Me parece que as cores no céu querem dançar, estão mais vivas que nós!
JOAQUIM - Nem me fale! Ainda bem que nos permitimos fugir para cá hoje, tiramos a sorte grande de presenciar este pequeno milagre, talvez o pôr-do-sol mais bonito da minha vida!
LORENA - Quim, o que será que define quando acontece algo majestoso como esse sol se decompondo em todos os tons e sobretons do mundo? O que rege as pequenas maravilhas que acontecem no céu? Será a física? Serão deuses pintores, pincelando as nuvens com poesia? Serão os astros, a posição das estrelas no resto do universo?
JOAQUIM - É mesmo... por que temos hoje este desfilar exuberante para assistir e ontem o sol se pôs em silêncio, como se ele - ele mesmo! - estivesse triste? Isto é intrigante...
LORENA - Certa vez me disseram que esse tipo de movimento natural atípico é resultado de um grande amor que acaba de nascer. Ou seja, ao nascer, o amor promover vida até nas nuvens, inspira até o sol, e então presenciamos um fim de tarde como o de hoje. Portanto, se agora estamos vivendo essa magia, é porque há pouco, em algum lugar próximo daqui, acabou de nascer um novo grande amor. O que você acha, Quim?
segunda-feira, 1 de março de 2010
Peça em um ato
Primeiro ato
(Abre a luz)
Apaixonar-se
(Cai o pano)
(afinal, apaixonar-se será sempre a introdução, o clímax, o anticlímax., o desfecho, a vida...)
(Abre a luz)
Apaixonar-se
(Cai o pano)
(afinal, apaixonar-se será sempre a introdução, o clímax, o anticlímax., o desfecho, a vida...)
sábado, 20 de fevereiro de 2010
De cima de palco, o olhar iluminado pelos refletores e a alma, como uma fratura exposta, escorrendo de dentro para o mundo. A garota vivia o seu momento iluminado pela expectativa da plateia quando seus olhos, por acaso, se cruzaram com os do rapaz que a assistia, silenciosamente. Talvez fosse fascínio o que ele sentia, talvez estivesse envergonhado por estar vendo tanto da essência daquela garota desconhecida que se entregava tanto, talvez o rapaz estivesse apenas com a cabeça nas nuvens, em outro lugar, mas ela sentiu uma faísca naqueles olhos castanhos e percebeu que seus olhos, por um segundo, brilharam ainda mais. De repente, sentia medo daqueles olhos lindos e foi escondendo sua alma, aos poucos, até perder toda a sua espontaneidade, até esquecer as falas e perder as entradas na cena... Até perder por completo os olhares do rapaz.
Hoje ela atua como muletas, apenas apoiando os brilhos dos outros, mas sempre procura pelo rapaz e seus olhos castanhos, que nunca voltaram...
Hoje ela atua como muletas, apenas apoiando os brilhos dos outros, mas sempre procura pelo rapaz e seus olhos castanhos, que nunca voltaram...
sábado, 30 de janeiro de 2010
Cena a dois, para ser encenada em silêncio
JOAQUIM - Lolô, eu te amo... Você está com medo?
LORENA - Medo? Medo é pouco! Tem muita Lorena na tua mão,
JOAQUIM - E muito Joaquim na tua...
LORENA - E muito Joaquim na minha mão! Claro que tenho medo, não somos inteiros em nós... E se eu morrer, Joaquim?
JOAQUIM - Morre Joaquim contigo.
LORENA - Tenho tanto medo de morrer, e te deixar aqui, com um pedaço pulsante de mim, levando um pedaço teu que deveria pulsar comigo. Tenho medo de precisar ir embora, tenho medo de te deixar e você não conseguir encontrar uma paz. E tenho medo de, no dia-a-dia, ir te machucando, porque pode ser de eu machucar as pessoas, ir te machucando até rasgar a sua alma em dois pedaços irregulares...
JOAQUIM - A minha alma é dois pedaços irregulares... E você faz parte disso.
LORENA - Eu sei, Quim, mas tenho medo que isso doa em você...
JOAQUIM - Então você não quer nem tentar?
LORENA - Oras, se você não estiver com medo, eu encontro coragem...
JOAQUIM - Eu estou com medo, mas tenho mais coragem que medo... Se nos machucarmos, se morrermos, se nos deixarmos, pelo menos teremos vivido algo que, nem que só por um segundo - que seja esse aqui -, deu certo... E por isso valeu a pena. Doer depois também é tão bom quanto amar durante.
LORENA - Entao, Quim, eu te amo... Você está com medo?
LORENA - Medo? Medo é pouco! Tem muita Lorena na tua mão,
JOAQUIM - E muito Joaquim na tua...
LORENA - E muito Joaquim na minha mão! Claro que tenho medo, não somos inteiros em nós... E se eu morrer, Joaquim?
JOAQUIM - Morre Joaquim contigo.
LORENA - Tenho tanto medo de morrer, e te deixar aqui, com um pedaço pulsante de mim, levando um pedaço teu que deveria pulsar comigo. Tenho medo de precisar ir embora, tenho medo de te deixar e você não conseguir encontrar uma paz. E tenho medo de, no dia-a-dia, ir te machucando, porque pode ser de eu machucar as pessoas, ir te machucando até rasgar a sua alma em dois pedaços irregulares...
JOAQUIM - A minha alma é dois pedaços irregulares... E você faz parte disso.
LORENA - Eu sei, Quim, mas tenho medo que isso doa em você...
JOAQUIM - Então você não quer nem tentar?
LORENA - Oras, se você não estiver com medo, eu encontro coragem...
JOAQUIM - Eu estou com medo, mas tenho mais coragem que medo... Se nos machucarmos, se morrermos, se nos deixarmos, pelo menos teremos vivido algo que, nem que só por um segundo - que seja esse aqui -, deu certo... E por isso valeu a pena. Doer depois também é tão bom quanto amar durante.
LORENA - Entao, Quim, eu te amo... Você está com medo?
domingo, 8 de novembro de 2009
Primeiro sinal.
Segundo sinal.
Terceiro sinal.
Agora acendam-se as luzes da ribalta!
Primeiro ato,
o primeiro passo em cima do palco,
a primeira palavra que ainda não fez sentido.
O que encenaremos agora?
Podemos contar uma linda história de amor!
Ou uma trágica história de amor...
Talvez uma história daquelas que têm gosto de fim de tarde,
um amor com gosto de fim de tarde.
Segundo ato,
se já sabemos qual é a nossa história
se é que é uma história:
talvez seja apenas amor
puro, descrito em rubricas
se já sabemos disso tudo, contemos ao público:
eles esperam com alguma ansiedade pelo desenrolar
que as línguas e as mãos desembrulhem, com cuidado,
o fio condutor
Quando será o clímax?
Será que nós nos emocionaremos?
Será que nós seremos envolvidos pela luz?
Terceiro ato.
Agora nos perderemos entre as sensações
se já dissemos a que viemos,
já fizemos essa história acontecer
já vimos o amor ser encenado
- pois qualquer peça é amor sendo encenado -
agora a ribalta há de se apagar novamente
e a plateia há de ir embora
agora hão de limpar o palco
pegar os destroços
levá-los embora
O amor que esteve em cima do palco ainda está lá.
Segundo sinal.
Terceiro sinal.
Agora acendam-se as luzes da ribalta!
Primeiro ato,
o primeiro passo em cima do palco,
a primeira palavra que ainda não fez sentido.
O que encenaremos agora?
Podemos contar uma linda história de amor!
Ou uma trágica história de amor...
Talvez uma história daquelas que têm gosto de fim de tarde,
um amor com gosto de fim de tarde.
Segundo ato,
se já sabemos qual é a nossa história
se é que é uma história:
talvez seja apenas amor
puro, descrito em rubricas
se já sabemos disso tudo, contemos ao público:
eles esperam com alguma ansiedade pelo desenrolar
que as línguas e as mãos desembrulhem, com cuidado,
o fio condutor
Quando será o clímax?
Será que nós nos emocionaremos?
Será que nós seremos envolvidos pela luz?
Terceiro ato.
Agora nos perderemos entre as sensações
se já dissemos a que viemos,
já fizemos essa história acontecer
já vimos o amor ser encenado
- pois qualquer peça é amor sendo encenado -
agora a ribalta há de se apagar novamente
e a plateia há de ir embora
agora hão de limpar o palco
pegar os destroços
levá-los embora
O amor que esteve em cima do palco ainda está lá.
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