Hoje vou escrever uma daquelas cartas doídas, com gosto de despedida... Não se desespere se ver uma lágrima escorrendo pelo meu rosto, para finalmente pingar no papel, borrando as linhas e as palavras escritas em letras tortas. Minhas letras tortas, mas honestas como o choro e como a dor do adeus, com alguma esperança de que este seja apenas um até logo...
Hoje, ao escrever uma carta de despedida, percebi o quanto deixei sobrando... O quanto ficou faltando... Sobrou descaso quando não me importava o teu olhar crítico, sobrou silêncio quando me faltou paciência, sobrou incompreensão quando eu disse 'ele nem é meu pai'... Ficou faltando o pedido de desculpas pela preocupação de pai que lhe causei, e ficou faltando agradecer o carinho, a companhia, as mesas do café, as conversas de guardanapo no restaurante, a balinha no carro, a amizade... Ficou faltando o 'eu te amo', ficou faltando devolver um pouco...
E hoje, ao escrever uma carta de adeus, me perdoe por tudo o que ficou sobrando, tudo o que ficou faltando, me perdoe pelas lágrimas e pela falta de abraços... Me perdoe...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Imperativo
Ata-me
Reata-me
Reaja aos meus pedidos
Pede-me
Impede-me
Peque sem medo de mim!
Minta
Me entregue
Entregue-se sem favores
Saia
Ensaia-me
Me siga no ensejo da vida
Vaia-me
Esvaia-se
E siga avante
Sem me saber, em vão.
Reata-me
Reaja aos meus pedidos
Pede-me
Impede-me
Peque sem medo de mim!
Minta
Me entregue
Entregue-se sem favores
Saia
Ensaia-me
Me siga no ensejo da vida
Vaia-me
Esvaia-se
E siga avante
Sem me saber, em vão.
domingo, 26 de setembro de 2010
A minha vida
é na velocidade do vento
é na rotina do tempo
é no compasso da canção
E quando eu peço calma
É como quem quer cuidado
E quando eu peço cuidado
É como quem pede perdão
por ter errado
as respostas que ninguém perguntou
do limite, do exagero
do medo da morte da vida
do fim do dia de estar sozinha
de acordar e de não ter sentido...
E quando eu imploro cuidado
é que preciso de cuidado
é que a vida está doendo
mesmo se eu não parar de sorrir
a vida está doendo.
E ela não pára,
nem o tempo nem o vento
nem eu posso, mas preciso
eu preciso de cuidado.
é na velocidade do vento
é na rotina do tempo
é no compasso da canção
E quando eu peço calma
É como quem quer cuidado
E quando eu peço cuidado
É como quem pede perdão
por ter errado
as respostas que ninguém perguntou
do limite, do exagero
do medo da morte da vida
do fim do dia de estar sozinha
de acordar e de não ter sentido...
E quando eu imploro cuidado
é que preciso de cuidado
é que a vida está doendo
mesmo se eu não parar de sorrir
a vida está doendo.
E ela não pára,
nem o tempo nem o vento
nem eu posso, mas preciso
eu preciso de cuidado.
domingo, 19 de setembro de 2010
Mudança de hábitos:
Ver poesia!
Falar com pontos de exclamação!Abraçar o invisível!
Cantar o inexprimível!
Querer a felicidade!
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Reclamação
Te vi
poluir o acaso
com suas fatalidades
chover sulfuricamentesobre as flores esperantas na janela
Cuspir de bile e dor
nos próprios pés
Escutei
as suas lágrimas temeráriase te ouvi gritando
medo! preconceito!Não à magnificência da vida...
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Da Montanha-Russa
Eu jamais poderei ser o aparelho de segurança: 'Mantenha a barra travada sobre seu colo durante todo o passeio, não tire os pés do carrinho em nenhum momento', não sou feita de ferro e não sou cem por cento hermética... Mas posso segurar as suas mãos bem forte, quando chegarmos ao topo e você sentir medo da descida, com promessas de vertigens e confusões. Eu posso me sentar ao teu lado e te ouvir gritar, e tentar sempre te lembrar que apesar de tudo, ainda existem os aparelhos de segurança, que você está protegida e não vai cair. Eu posso fechar os olhos para o meu próprio medo de altura ou desses chacoalhões, porque eu quero te acompanhar quando o teu medo é muito maior que o meu.
Depois de uma descida, aparecerá uma nova escalada. Olharemos para o horizonte, e talvez haja uma nova queda, e quando você sentir medo quero que saiba que estou aqui do seu lado, esperando contigo o fim do trajeto traumático, quando chegaremos ao plano. Lá você poderá correr, bailar, piruetear a tua poesia e o teu jeito lindo, e eu ainda estarei com você, aplaudindo as suas artes e todos os seus recomeços diários.
Mas enquanto isso, aperte forte a minha mão e grite o quanto precisar. Estamos a cada momento mais perto dos novos dias de planície!
(Para a menina-aquarela da minha vida, a quem dedico esperança, poesia, companhia e todo o amor.)
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
E além!
Então, de súbito, ao encarar o universo se expandindo em frente aos meus olhos, gritei: te amo! E ecoei te amo... te amo... te amo... cada partícula de cada poeira cósmica respondeu te amo! E pude ver, instantânea, o amor crescendo em progressão geométrica: galáxias, estrelas explodindo EU TE AMO! Buracos negros se condensando em linhas e linhas de eu te amos magnéticos...
Ao infinito e além!
Ao infinito e além!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Bolsa-tristeza
Quando o povo sente fome, ou frio, quando o povo tá na miséria
quando o povo precisa de dinheiro, precisa de cuidado
quando o povo precisa estudar e precisa de atenção
quando o povo tem filho e não tem o que fazer com o filho
Vocês dão: Bolsa família, bolsa educação, bolsa desemprego, bolsa comida,
Bolsas e bolsas pobreza
Todas as medidas paliativas
que não resolveram o medo...
Moços, eu não preciso de uma bolsa-tristeza,
porque acabou o dinheiro
e o guache que vocês colocaram lá dentro desaguou
mas minha tristeza ainda não morreu...
Nós não precisamos da bolsa a tiracolo
descosturando e deixando tudo igual
Nós precisamos poder sonhar!
quando o povo precisa de dinheiro, precisa de cuidado
quando o povo precisa estudar e precisa de atenção
quando o povo tem filho e não tem o que fazer com o filho
Vocês dão: Bolsa família, bolsa educação, bolsa desemprego, bolsa comida,
Bolsas e bolsas pobreza
Todas as medidas paliativas
que não resolveram o medo...
Moços, eu não preciso de uma bolsa-tristeza,
porque acabou o dinheiro
e o guache que vocês colocaram lá dentro desaguou
mas minha tristeza ainda não morreu...
Nós não precisamos da bolsa a tiracolo
descosturando e deixando tudo igual
Nós precisamos poder sonhar!
domingo, 29 de agosto de 2010
Da Capo, appassionata
A tua voz é pianissimo...
Sussurros com harmonia e
a melodia dos melhores dias!
Um carinho affettuoso
Più mosso, più lento
Do teu lado, sou allegro, allegro!
Espero nosso canto em duo
Eu desejo nosso tempo com ritornello
Contigo as horas passam en pressant
Mas passo a semana longe de ti com o relógio rallentano
Quero bis!
Quero o teu beijo em fermata...
Sussurros com harmonia e
a melodia dos melhores dias!
Um carinho affettuoso
Più mosso, più lento
Do teu lado, sou allegro, allegro!
Espero nosso canto em duo
Eu desejo nosso tempo com ritornello
Contigo as horas passam en pressant
Mas passo a semana longe de ti com o relógio rallentano
Quero bis!
Quero o teu beijo em fermata...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Do
Nem por cima
nem de baixo:
quero encarar a vida de frente!
Olho no olho, eu e o mundo
dar a cara a tapa
E se doer,
olho no olho, eu e a raiva
E se chorar,
olhe nos meus olhos
eu e as lágrimas!
Mas não sou deus
e não sou rato!
Eu sou a mulher
que não quer sentir medo
de olhar na alma do mundo
espiar o fundo do âmago
cutucar a minha própria ferida
Sentir dor e acariciar o corte
e sarar o corte e esquecer da dor
- lembrar apenas da carícia e da cura.
Eu sou a mulher
feita de palavra, papel, saliva
feita de olhos que
de curiosos
matam e morrem, mas olham
de igual pra igual
(eu e o mundo)
nem de baixo:
quero encarar a vida de frente!
Olho no olho, eu e o mundo
dar a cara a tapa
E se doer,
olho no olho, eu e a raiva
E se chorar,
olhe nos meus olhos
eu e as lágrimas!
Mas não sou deus
e não sou rato!
Eu sou a mulher
que não quer sentir medo
de olhar na alma do mundo
espiar o fundo do âmago
cutucar a minha própria ferida
Sentir dor e acariciar o corte
e sarar o corte e esquecer da dor
- lembrar apenas da carícia e da cura.
Eu sou a mulher
feita de palavra, papel, saliva
feita de olhos que
de curiosos
matam e morrem, mas olham
de igual pra igual
(eu e o mundo)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Megalomania
Meus sonhos são tão enormes
Que não couberam só na noite
(É por isso que me vês distraída
distraída pela rua: sonhando...)
Que não couberam só na noite
(É por isso que me vês distraída
distraída pela rua: sonhando...)
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Essa liberdade de olhar pra você e dizer eu te amo, apesar de todas essas mudanças, apesar da minha facilidade para machucar e ser machucada, eu te amo porque você não tem medo de mim e porque eu não tenho medo do que você me esconde, mas a liberdade corre pouco e não me alcançou: o temor de acabar sozinha dizendo eu te amo pro vento - sem nenhuma resposta - acaba me tomando de súbito e eu fico em silêncio, sem saber nem como respirar, se o próprio ar dos meus pulmões quer dizer eu te amo, apesar de faltar ar e sobrar espaço vazio, se minhas mãos querem segurar nas tuas dizendo eu te amo, apesar de não caber direito, se meu corpo quer dizer eu te amo mas te amo sem preconceito, eu te amo sem falar nada, eu te amo porque nem sei direito o que isso significa, eu te amo porque eu não sei o que eu significo, eu te amo porque você mistura tudo que eu gosto e me intriga e eu te amo porque isso quer dizer liberdade e liberdade é quando falta a censura e sobra o desejo.
Bloco de notas
A felicidade é tão instável e inexplicável quanto o ozônio.
A decomposição da felicidade é tão fácil, assustadora e cheia de terríveis consequências quanto a do ozônio.
A decomposição da felicidade é tão fácil, assustadora e cheia de terríveis consequências quanto a do ozônio.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Mensagem aos poetas
Mas poetas
por que insistem em xingar
os longos, deliciosos
beijos de amor
nomeando-os
'idílicos ósculos'?
por que insistem em xingar
os longos, deliciosos
beijos de amor
nomeando-os
'idílicos ósculos'?
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Do amor
O amor é veneno. Amar deixa o mais soturno dos humanos ébrio. Eu, que costumava medir minha postura, conter meus gestos, eu, que costumava falar baixo e respeitar as leis sociais... Amei. E então tornei-me samba, tornei-me o batuque a decibéis ensurdecedores, eu amei e abri os braços, perdi o medo da altura, subi na corda-bamba rindo, deliciando-me de festa, prosa, música. Como amava, pintei as paredes com cores vivas, pendurei fotos na parede, acendi todas as luzes. Mas o homem se trai, me traiu e foi embora, deixando apenas a lembrança da canção, e da festa sobrou a bagunça para eu arrumar, todas essas luzes atrapalhando meus olhos, multas por não ter abaixado o som depois das dez, contas a pagar, copos e pratos e fotos para eu jogar no lixo... sozinha... e ainda hoje vivo amedrontada me equilibrando a 20 metros do chão, de cima dessa corda-bamba, de onde ninguém se dispôs a me tirar... Amor é veneno.
Do desconhecido
Sou o sótão da casa. Escuro, inacessível, entulhado de passado - já reparou que sempre ocupamos o sótão com passado? A forma de vida em mim é rastejante (sou quase inóspita...), e talvez você reclame que, do seu quarto, escute os passos pesados dos monstros que me habitam. E, com certo escárnio, posso explicar: liguei auto-falantes capazes de aumentar o menor ruído em um grito dilacerante. Portanto, enquanto minhas formigas passeiam pelo assoalho, você se contorce de medo, prometendo jamais vir aqui. E é assim que me protejo, criando para você uma imagem terrivelmente distorcida da minha pacata e tediosa existência, te dando medo, muito medo, quando sou apenas... silêncio.
Não posso amar agora. Por enquanto estou repleta de mágoas, de promessas não cumpridas, de um passado colado na sola do sapato. Não consigo sequer conceber a ideia de amar hoje. O amor precisa de espaço, e minh'alma está com os armários abertos e revirados, os móveis foram tirados do lugar e existem cartas e fotos antigas espalhadas pelo chão. Há meses não se abre uma janela ou se tenta varrer o âmbito. E nem hão de tentá-lo: não quero pensar em amor.
Apelo
Não, eu não posso te fazer feliz! Eu sou infeliz demais para fazer alguém feliz! Eu estou te enganando, perceba por favor que estou dissimulando esta alegria, ela é falsa, sinto dores terríveis na alma, estou colada no passado e sofro por ter ficado pra trás, eu sou triste. Sou triste. Sou triste. Você não tem nada a ganhar em mim, sou inóspita. Sou boba, rasa, traíra. Minha própria alma não me aguenta mais. Desista, imploro, eu sou pura propaganda enganosa. Não sonhe comigo, não pense em mim, não pense que o que aconteceu foi sublime, não se machuque, por favor, não se magoe. Eu sou uma mulher cética, arranhada, e deixei crescerem as minhas unhas para poder arranhar também. Eu vou usar as minhas armas e vou ferir você. Por favor, foge agora, sou animalesca, sou destrutiva.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Olha ali! Olha atrás da janela
Está chovendo?
Ventando tanto que as cortinas voaram, te deixando desprotegido?
Percebe, isso tudo que você enxerga agora
São alguns quilômetros de agora.
Aperte os olhos, tente ver além:
Não conseguiu? Lá na frente é muito escuro?
Pois você acaba de contemplar
O teu misterioso futuro, que te reserva milagres intensos
mudanças na rota, uma árvore com maçãs no topo
Pessoas surpreendentes te acompanhando e oferecendo luz...
A lembrança fosca de alguém que te machucou muito
(E nada mais que lembrança fosca!)
Nenhum arrependimento e imensa vontade de viver!
Pois estar vivo é se permitir subordinar
às circunstâncias, aproveitar delas o que lhe engrandece
Moldá-las e por elas ser moldado
para continuar brigando pelo enorme pedaço de felicidade
que lhe pertence!
Está chovendo?
Ventando tanto que as cortinas voaram, te deixando desprotegido?
Percebe, isso tudo que você enxerga agora
São alguns quilômetros de agora.
Aperte os olhos, tente ver além:
Não conseguiu? Lá na frente é muito escuro?
Pois você acaba de contemplar
O teu misterioso futuro, que te reserva milagres intensos
mudanças na rota, uma árvore com maçãs no topo
Pessoas surpreendentes te acompanhando e oferecendo luz...
A lembrança fosca de alguém que te machucou muito
(E nada mais que lembrança fosca!)
Nenhum arrependimento e imensa vontade de viver!
Pois estar vivo é se permitir subordinar
às circunstâncias, aproveitar delas o que lhe engrandece
Moldá-las e por elas ser moldado
para continuar brigando pelo enorme pedaço de felicidade
que lhe pertence!
(Para o Gutinho, que merece muito!)
Cena a dois, para ser encenada em silêncio num.2
(Fim de tarde, beira de um rio. Joaquim e Lorena assistem o ocaso)
LORENA - Olha que lindo, Quim! Hoje eles capricharam no espetáculo! Me parece que as cores no céu querem dançar, estão mais vivas que nós!
JOAQUIM - Nem me fale! Ainda bem que nos permitimos fugir para cá hoje, tiramos a sorte grande de presenciar este pequeno milagre, talvez o pôr-do-sol mais bonito da minha vida!
LORENA - Quim, o que será que define quando acontece algo majestoso como esse sol se decompondo em todos os tons e sobretons do mundo? O que rege as pequenas maravilhas que acontecem no céu? Será a física? Serão deuses pintores, pincelando as nuvens com poesia? Serão os astros, a posição das estrelas no resto do universo?
JOAQUIM - É mesmo... por que temos hoje este desfilar exuberante para assistir e ontem o sol se pôs em silêncio, como se ele - ele mesmo! - estivesse triste? Isto é intrigante...
LORENA - Certa vez me disseram que esse tipo de movimento natural atípico é resultado de um grande amor que acaba de nascer. Ou seja, ao nascer, o amor promover vida até nas nuvens, inspira até o sol, e então presenciamos um fim de tarde como o de hoje. Portanto, se agora estamos vivendo essa magia, é porque há pouco, em algum lugar próximo daqui, acabou de nascer um novo grande amor. O que você acha, Quim?
LORENA - Olha que lindo, Quim! Hoje eles capricharam no espetáculo! Me parece que as cores no céu querem dançar, estão mais vivas que nós!
JOAQUIM - Nem me fale! Ainda bem que nos permitimos fugir para cá hoje, tiramos a sorte grande de presenciar este pequeno milagre, talvez o pôr-do-sol mais bonito da minha vida!
LORENA - Quim, o que será que define quando acontece algo majestoso como esse sol se decompondo em todos os tons e sobretons do mundo? O que rege as pequenas maravilhas que acontecem no céu? Será a física? Serão deuses pintores, pincelando as nuvens com poesia? Serão os astros, a posição das estrelas no resto do universo?
JOAQUIM - É mesmo... por que temos hoje este desfilar exuberante para assistir e ontem o sol se pôs em silêncio, como se ele - ele mesmo! - estivesse triste? Isto é intrigante...
LORENA - Certa vez me disseram que esse tipo de movimento natural atípico é resultado de um grande amor que acaba de nascer. Ou seja, ao nascer, o amor promover vida até nas nuvens, inspira até o sol, e então presenciamos um fim de tarde como o de hoje. Portanto, se agora estamos vivendo essa magia, é porque há pouco, em algum lugar próximo daqui, acabou de nascer um novo grande amor. O que você acha, Quim?
domingo, 25 de julho de 2010
Hilda,
Eu sou a garota que finge. Sou a garota que foge porque dói.
Vou lhe parecer feliz, mas estou estraçalhada.
Minha garganta estrangulada pela poluição, pelas incessantes mãos que teimam em abraçar, matando-me aos poucos, mas estarei cantando - talvez até digam que sou afinada,
porém tenho a alma da guitarra quebrada pelo rockstar:
saudosa e para sempre em pedaços.
Eu sou, Hilda, a mulher que espera, que anseia
dissimulando a incompletude ao assumir atemporal
que eu me basto,
quando tudo me falta.
Vou lhe parecer feliz, mas estou estraçalhada.
Minha garganta estrangulada pela poluição, pelas incessantes mãos que teimam em abraçar, matando-me aos poucos, mas estarei cantando - talvez até digam que sou afinada,
porém tenho a alma da guitarra quebrada pelo rockstar:
saudosa e para sempre em pedaços.
Eu sou, Hilda, a mulher que espera, que anseia
dissimulando a incompletude ao assumir atemporal
que eu me basto,
quando tudo me falta.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
João Pedro
"(...) E foi naquele e-mail que eu abri meu coração, joguei a minha alma lá dentro: eu finalmente disse tudo pra ela! Quer dizer, eu disse quase tudo... só faltou o essencial."
quarta-feira, 21 de julho de 2010
MANIFESTO COLORIDO I
Cansei-me dos dias chuvosos
- principalmente os que chovem apenas na alma -
cansei-me do peso de empurrar a vida sozinha
como quem de fato carrega o universo no ombro
Cansei de sentir tanta tristeza
por motivos que nem sei direito quais
Estou farta de esquecer o bonito
o leve, o sublime. Estou farta!
Então combinei com as nuvens
E com as árvores, e com as luzes,
e com o violão, e com as ruas,
Que vamos transformar tristeza em carnaval!
Pintar o mundo de novo,
ligar a música muito alto
E vamos desfilar na rua: qualquer alegria!
Convido-te, leitor impaciente
Imploro-te! Traga a tua alegria
Vamos carregá-la juntos! Vamos expô-la,
Venha comigo contagiar o mundo!
Vem, leitor, esquece um pouco
da dor, da parte sombria,
Vem comigo dissuadir a raça humana
dessa tristeza terrível!
Vem ao meu lado,
vamos carnavalizar?
- principalmente os que chovem apenas na alma -
cansei-me do peso de empurrar a vida sozinha
como quem de fato carrega o universo no ombro
Cansei de sentir tanta tristeza
por motivos que nem sei direito quais
Estou farta de esquecer o bonito
o leve, o sublime. Estou farta!
Então combinei com as nuvens
E com as árvores, e com as luzes,
e com o violão, e com as ruas,
Que vamos transformar tristeza em carnaval!
Pintar o mundo de novo,
ligar a música muito alto
E vamos desfilar na rua: qualquer alegria!
Convido-te, leitor impaciente
Imploro-te! Traga a tua alegria
Vamos carregá-la juntos! Vamos expô-la,
Venha comigo contagiar o mundo!
Vem, leitor, esquece um pouco
da dor, da parte sombria,
Vem comigo dissuadir a raça humana
dessa tristeza terrível!
Vem ao meu lado,
vamos carnavalizar?
MANIFESTO COLORIDO II
Quem inventou o concreto? Quem inventou os postes de iluminação que nunca acendem? Quem foi que decidiu que as cores bonitas são preto, cinza e marrom? Vamos, entreguem-me os culpados! Quero olhar nos olhos do frio que inventou de tirar a cor do dia. Quero olhar no fundo dos seus olhos, que devem ser tristes como o escuro inabitado do fundo do mar. Eu quero poder dizer: 'senhor, me desculpa a indiscrição, mas é mesmo necessária tanta tristeza?', quero poder, com as mãos e o coração abertos, chacoalhar essa infelicidade cinza e algum coração, quero instituir um Estado novo, no qual as paredes do corpo, da alma,estão sempre pintadas com cores vibrantes, para que a tristeza se sinta acuada, desconfortável, e não queira nunca mais voltar.
Enquanto ecoarem essas notas pelo salão
As notas de uma valsa inacabada
Você poderá ver as estrelas cadentes na palma da minha mão:
Vestir-me-ei da cor do céu
E as estrelas pendurarei nas pontas dos dedos,
como com fantoches.
Maestro! Apague as luzes e retumbe sua canção!
Aos olhos perdidos, sigam os passos do balé!
Alguém, por favor, complete a valsa
(que por enquanto é infinita)
Para que eu saiba o momento exato
de dançar o último passo
alinhado ao último acorde do mundo:
quando as estrelas finalmente se apagarão
para que eu possa dormir em paz...
As notas de uma valsa inacabada
Você poderá ver as estrelas cadentes na palma da minha mão:
Vestir-me-ei da cor do céu
E as estrelas pendurarei nas pontas dos dedos,
como com fantoches.
Maestro! Apague as luzes e retumbe sua canção!
Aos olhos perdidos, sigam os passos do balé!
Alguém, por favor, complete a valsa
(que por enquanto é infinita)
Para que eu saiba o momento exato
de dançar o último passo
alinhado ao último acorde do mundo:
quando as estrelas finalmente se apagarão
para que eu possa dormir em paz...
Existe nos seus olhos um brilho diferente
Um brilho de alma ansiosa
o brilho de quem está prestes a viver um novo amor...
Enquanto meus olhos
tantas vezes tristes
olhando para o lado errado
(o lado do passado)
meus olhos sem expectativa de vida...
Os meus olhos não merecem a sua santa
renovação rebuliçosa...
Um brilho de alma ansiosa
o brilho de quem está prestes a viver um novo amor...
Enquanto meus olhos
tantas vezes tristes
olhando para o lado errado
(o lado do passado)
meus olhos sem expectativa de vida...
Os meus olhos não merecem a sua santa
renovação rebuliçosa...
- Um dia você vai me perdoar?
- Por quê?
- Por ter te machucado tanto... Há muito eu não olhava no fundo dos seus olhos, e hoje, que estamos novamente só nós dois, posso ver. Nos seus olhos há um brilho fosco, típico de quem já chorou muito, esfregou as pupilas para arrancar de uma vez por todas a esperança,
- E mesmo assim falhei.
- , e o sorriso triste de quem tentou continuar a vida e não conseguiu.A tua pele está inteira, mas você transparece todos os machucados que eu fiz na sua alma. Me perdoa?
- Não foi você que me machucou. Fui eu, foram as circunstâncias, foram esses dias cinzas, da cor das suas blusas de lã, esse vento doce que por vezes trás até mim o seu cheiro, o seu hálito respirando tão perto... Eu me machuco porque me permito te amar tanto. E você me perdoa por amar tanto?
- Por quê?
- Por ter te machucado tanto... Há muito eu não olhava no fundo dos seus olhos, e hoje, que estamos novamente só nós dois, posso ver. Nos seus olhos há um brilho fosco, típico de quem já chorou muito, esfregou as pupilas para arrancar de uma vez por todas a esperança,
- E mesmo assim falhei.
- , e o sorriso triste de quem tentou continuar a vida e não conseguiu.A tua pele está inteira, mas você transparece todos os machucados que eu fiz na sua alma. Me perdoa?
- Não foi você que me machucou. Fui eu, foram as circunstâncias, foram esses dias cinzas, da cor das suas blusas de lã, esse vento doce que por vezes trás até mim o seu cheiro, o seu hálito respirando tão perto... Eu me machuco porque me permito te amar tanto. E você me perdoa por amar tanto?
terça-feira, 20 de julho de 2010
Da insônia
Essas horas silenciosas!
Ah, como é difícil lidar com a própria demência!
Não saio da cama: reviro-me por dentro
As sombras dançam balé com as minhas memórias
durante as noites sem estrela nem sonho.
O mancebo repentinamente tomou tua silhueta
e acreditei que você vinha me ninar!
Há uma luz que pisca e um relógio intermitente
Quero desligar o mundo da tomada!
Do outro lado, o seu piano toca suave melodia
E minha alma pagã quer dançar o ritual do seu som
agitando o meu corpo...
Ó, alma minha, me traíste novamente!
Esqueceste que só poderá dançar sobre o piano
enquanto eu estiver a sonhar com isso?
Ah, como é difícil lidar com a própria demência!
Não saio da cama: reviro-me por dentro
As sombras dançam balé com as minhas memórias
durante as noites sem estrela nem sonho.
O mancebo repentinamente tomou tua silhueta
e acreditei que você vinha me ninar!
Há uma luz que pisca e um relógio intermitente
Quero desligar o mundo da tomada!
Do outro lado, o seu piano toca suave melodia
E minha alma pagã quer dançar o ritual do seu som
agitando o meu corpo...
Ó, alma minha, me traíste novamente!
Esqueceste que só poderá dançar sobre o piano
enquanto eu estiver a sonhar com isso?
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