JOAQUIM - Lolô, eu te amo... Você está com medo?
LORENA - Medo? Medo é pouco! Tem muita Lorena na tua mão,
JOAQUIM - E muito Joaquim na tua...
LORENA - E muito Joaquim na minha mão! Claro que tenho medo, não somos inteiros em nós... E se eu morrer, Joaquim?
JOAQUIM - Morre Joaquim contigo.
LORENA - Tenho tanto medo de morrer, e te deixar aqui, com um pedaço pulsante de mim, levando um pedaço teu que deveria pulsar comigo. Tenho medo de precisar ir embora, tenho medo de te deixar e você não conseguir encontrar uma paz. E tenho medo de, no dia-a-dia, ir te machucando, porque pode ser de eu machucar as pessoas, ir te machucando até rasgar a sua alma em dois pedaços irregulares...
JOAQUIM - A minha alma é dois pedaços irregulares... E você faz parte disso.
LORENA - Eu sei, Quim, mas tenho medo que isso doa em você...
JOAQUIM - Então você não quer nem tentar?
LORENA - Oras, se você não estiver com medo, eu encontro coragem...
JOAQUIM - Eu estou com medo, mas tenho mais coragem que medo... Se nos machucarmos, se morrermos, se nos deixarmos, pelo menos teremos vivido algo que, nem que só por um segundo - que seja esse aqui -, deu certo... E por isso valeu a pena. Doer depois também é tão bom quanto amar durante.
LORENA - Entao, Quim, eu te amo... Você está com medo?
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
O meu coração cantando a capella
e eu buscando uma música que te
delineie o corpo e a tua alma nova
Música que cante ao baque surdo
dos nós dos meus dedos apertados
do nós que existia e agora já morreu
O meu coração cantando a capella
e eu buscando em um acompanhamento
alguém que assovie essa minha canção
alguém que me segure muito forte
Até eu me esquecer da dor que sinto
E dos silêncios do meu mundo frio
O meu coração cantando a capella
E eu me esquecendo de morrer, em paz.
e eu buscando uma música que te
delineie o corpo e a tua alma nova
Música que cante ao baque surdo
dos nós dos meus dedos apertados
do nós que existia e agora já morreu
O meu coração cantando a capella
e eu buscando em um acompanhamento
alguém que assovie essa minha canção
alguém que me segure muito forte
Até eu me esquecer da dor que sinto
E dos silêncios do meu mundo frio
O meu coração cantando a capella
E eu me esquecendo de morrer, em paz.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
- Cê tá bem, neguinha?
- Não, não, não, não, não, não, não tô nem um pouco bem! Eu me sinto sozinha, apesar de ser tão injusto dizer isso, e eu me sinto fora de lugar, como se eu não pertencesse à minha própria casa, ao meu próprio corpo, e eu nunca senti tanto medo de uma vez, estou com medo do dia de hoje, da semana de hoje, dos meses e do ano que se segue, estou com medo de não aguentar a vida que eu própria preparei para mim, eu estou com saudade de quem eu era há um ano, há dois anos, e eu estou com saudade das coisas que eu vivi, estou com saudade de como eu me sentia em relação a tudo, ou à minha vida, eu estou com saudade de uma companhia que me complete, porque eu estou destroçada...
- Não, não, não, não, não, não, não tô nem um pouco bem! Eu me sinto sozinha, apesar de ser tão injusto dizer isso, e eu me sinto fora de lugar, como se eu não pertencesse à minha própria casa, ao meu próprio corpo, e eu nunca senti tanto medo de uma vez, estou com medo do dia de hoje, da semana de hoje, dos meses e do ano que se segue, estou com medo de não aguentar a vida que eu própria preparei para mim, eu estou com saudade de quem eu era há um ano, há dois anos, e eu estou com saudade das coisas que eu vivi, estou com saudade de como eu me sentia em relação a tudo, ou à minha vida, eu estou com saudade de uma companhia que me complete, porque eu estou destroçada...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Atemporal
Ao temporal:
que tuas gotas sejam a minha saliva
que crêem na vida, como no mundo
pois o tempo não me rege,
nem eu rejo o tempo,
somos pequenas aliterações, metáforas
e apenas convivemos.
A tempo:
não se atrase, meu amor
pois a chuva que está para cair
alagará as ruas, me alagará os olhos
não se atrase, por favor,
que eu passei a vida a lhe esperar...
que tuas gotas sejam a minha saliva
que crêem na vida, como no mundo
pois o tempo não me rege,
nem eu rejo o tempo,
somos pequenas aliterações, metáforas
e apenas convivemos.
A tempo:
não se atrase, meu amor
pois a chuva que está para cair
alagará as ruas, me alagará os olhos
não se atrase, por favor,
que eu passei a vida a lhe esperar...
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Pedido
Por favor!
Livre-me dos meus silêncios!
Faça com que passe
a dor do parto, de quando me partiu
a dor da neve ao redor do meu interior
faça-me derreter...
Pois minha boca selou
um mundo meu, não o atinjo mais!
E foi por você...
Lhe peço... Lhe imploro!
Me toque novamente
A valsa dos seus dedos estalava estrelas
E me enchia de canção
Eras maior do que o Mar
tu eras maior do que o amor.
Volte aqui.
Me complete com o teu silêncio
o silêncio brando e pacífico
de um outro beijo...
Livre-me dos meus silêncios!
Faça com que passe
a dor do parto, de quando me partiu
a dor da neve ao redor do meu interior
faça-me derreter...
Pois minha boca selou
um mundo meu, não o atinjo mais!
E foi por você...
Lhe peço... Lhe imploro!
Me toque novamente
A valsa dos seus dedos estalava estrelas
E me enchia de canção
Eras maior do que o Mar
tu eras maior do que o amor.
Volte aqui.
Me complete com o teu silêncio
o silêncio brando e pacífico
de um outro beijo...
- Eu te amo, porra! E não sei o que fazer com essa massa amorfa pairando, não sei se dentro de mim ou ao meu redor. Não sei se posso canalizá-lo ou transformá-lo noutra coisa, ou como me livrar disso. Se eu pudesse, imprimiria meu amor por você nos poeminhas bobos, nas prosas bobas, e jogaria o amor impresso na lata do lixo reciclável, para esquecê-lo... Mas não posso: as palavras têm efeito contrário e o amor me enraiza... Tentaria dispará-lo aos outros, mas é, mais que meu amor, o teu amor. É exclusivo, não posso entregá-lo a outrem. Não posso fazer nada mais que surpotá-lo, suportar-lhe e suportar-me.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Cartas Provisórias
Querido,
não sei por que lhe escrevo hoje. Não tenho muito a dizer. As cartas que se seguem não passam de meros rabiscos, traços da minha personalidade que eu rascunhei em papel manteiga e acabaram por escorregar entre meus dedos, antes que eu pudesse decorá-los. Perceba que não estou necessariamente falando com você, mas seja lá o que eu disser, é claro que te inclui, como sempre. Não preciso que você leia. Eu não sou você.
----------------
minhas são cartas provisórias porque elas não carregam nenhuma verdade que valha o resto de uma vida. Sou da opinião de que todas as cartas são provisórias, uma vez que as verdades costumam mudar durante o tempo. As palavras não são suficientes para eternizar uma verdade: apenas no papel. Dentro de mim, muda tudo, muda o tempo todo.
----------------
não queria lhe perguntar isso agora, mas não consigo evitar: o que é o amor?
----------------
Eu acredito que nunca vou poder responder a essa pergunta. Acredito apenas que amar é algo que vale a pena. Independente de quais as circunstâncias, experiências e finais, vale a pena.
----------------
e daí que ela gosta de garotas? Que ela ame sem moderação suas garotas, que viva por elas, e que ninguém abra a boca para dizer qualquer coisa pejorativa, que ninguém se meta em seu amor, que não tem amarras.
-----------------
eu não sei se sei amar. Mas amo.
não sei por que lhe escrevo hoje. Não tenho muito a dizer. As cartas que se seguem não passam de meros rabiscos, traços da minha personalidade que eu rascunhei em papel manteiga e acabaram por escorregar entre meus dedos, antes que eu pudesse decorá-los. Perceba que não estou necessariamente falando com você, mas seja lá o que eu disser, é claro que te inclui, como sempre. Não preciso que você leia. Eu não sou você.
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minhas são cartas provisórias porque elas não carregam nenhuma verdade que valha o resto de uma vida. Sou da opinião de que todas as cartas são provisórias, uma vez que as verdades costumam mudar durante o tempo. As palavras não são suficientes para eternizar uma verdade: apenas no papel. Dentro de mim, muda tudo, muda o tempo todo.
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não queria lhe perguntar isso agora, mas não consigo evitar: o que é o amor?
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Eu acredito que nunca vou poder responder a essa pergunta. Acredito apenas que amar é algo que vale a pena. Independente de quais as circunstâncias, experiências e finais, vale a pena.
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e daí que ela gosta de garotas? Que ela ame sem moderação suas garotas, que viva por elas, e que ninguém abra a boca para dizer qualquer coisa pejorativa, que ninguém se meta em seu amor, que não tem amarras.
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eu não sei se sei amar. Mas amo.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Helena,
não me pergunte, minha princesa, o que é que tanto escrevo nesse caderno! Escrevo poeminhas bobos de um amorzinho cálido que me tem aterrado! Escrevo apenas bobagens, minhas pequenas descobertas, ou palavras instantâneas que me aparecem e eu tenho medo que me abandonem. Mas tenho vergonha que as leia, com a minha letra manuscrita, toda torta e truncada, e que me ache boba por escrever sobre o meu mundo, fazendo tanto mistério, como se escondesse todos os segredos da humanidade...
domingo, 3 de janeiro de 2010
Nascimento do poeta
JOAQUIM - Vê bem, Lorena, vê bem que teus olhos me enganam menos que os meus. O que está vendo, Lorena?
LORENA - Ora, Joaquim, não vejo muito mais do que você, vejo essa colina, e essas florzinhas que nascem ao pé das árvores, como filhos bastardos de um sonho que não aconteceu. Vejo esse sol, lutando para sobreviver ao afago das nuvens, e vejo essas nuvens, intrometendo-se aos caminhos do sol. E vejo a você, Joaquim, tão perdido quanto essas formigas passeando ao redor do meu pé, que se pôs no meio de sua trilha.
JOAQUIM - Percebe? Você me disse as coisas que eu não pude ver. Talvez, Lorena, talvez eu esteja tão faminto por algo que não sei o que é que tenha me cegado e não percebi! Será que você pode me ajudar a sair daqui, Lô? Escaparia comigo?
LORENA - E escapar para onde, homem? Precisamos ficar aqui, para ver os milagres que estão prestes a nos acontecer. Você nunca sabe quando um milagre vai acontecer. E se as flores voltarem à terra, entrarem pela raiz das árvores e brotarem novamente na copa, quase beijando o sol, que se já terá desanuviado?
JOAQUIM - E as formigas, Lolô, as formigas terão reencontrado o seu rumo?
LORENA - As formigas precisarão de um caminho, e eu não posso fazer esse milagre.
JOAQUIM - Pois os milagres que você me deu são falsos! Tão falsos que as minhas lágrimas também perderam o próprio rumo, e estão vagando descontroladas pelo meu rosto! E eu nem sei o que estão fazendo aqui, não me dói nada...
LORENA - Te dói tudo, Quim. Te dói o mundo, e eu te entendo, porque não há aspirina que resolva, não há anestésico ou tapa na cara que te faça passar a dor... É por te entender que eu preciso ficar aqui com você, mas também preciso que você fique aqui comigo, e nós esperaremos juntos que a dor passe. É a dor de existir, Joaquim.
JOAQUIM - Mas eu existo há muito, e nunca tinha me doído tanto.
LORENA - Não basta existir. É necessário descobrir que se existe. E então dói.
JOAQUIM - Ah, Lô... E o que eu posso fazer para passar?
LORENA - Procure um alento...
JOAQUIM - Um alento? Para a minha dor?
LORENA - Sim, procure algo que lhe faça esquecer, um grande amor, palavras cruzadas, filosofia, a sorte, esse fim de tarde, salvar alguma outra pessoa da dor que ela sente, tentar um novo dia, chorar as lágrimas até que faça sentido...
JOAQUIM - Não... eu preciso procurar mais perto, mais... mais perto, mais perto, mais, mais... Dentro, preciso encontrar dentro de mim. Isso que vai me desabrochar n'algo que me deixe em paz. Eu preciso encontrar dentro de mim algo que me dê paz, algo que me faça acreditar maior, algo que me faça acreditar que existir vale a pena! Preciso encontrar o que é essa angústia, o que é essa bola dentro do meu estômago, como eu faço sair? Preciso me encontrar com a minha alma, ouvir o que ela tem a dizer... Tirar de dentro de mim...
LORENA - Quim... Talvez você pudesse tentar... Não sei, é um caminho sem volta, talvez dolorido, mesmo que florido de flores poucos bastardas. Nos dias de sol, o sol lhe queimará até os pulmões, e quando chover você vai sentir o teu próprio corpo escorrendo das gotas. Mas talvez essa sua bola no estômago, a sua angústia seja necessidade de palavras: talvez o seu corpo esteja te mandando, te ordenando que você escreva, escreva, escreva, escreva, meu amor! Seja poeta, Joaquim, seja poeta e entregue ao mundo suas sensações, Joaquim, seja poeta.
LORENA - Ora, Joaquim, não vejo muito mais do que você, vejo essa colina, e essas florzinhas que nascem ao pé das árvores, como filhos bastardos de um sonho que não aconteceu. Vejo esse sol, lutando para sobreviver ao afago das nuvens, e vejo essas nuvens, intrometendo-se aos caminhos do sol. E vejo a você, Joaquim, tão perdido quanto essas formigas passeando ao redor do meu pé, que se pôs no meio de sua trilha.
JOAQUIM - Percebe? Você me disse as coisas que eu não pude ver. Talvez, Lorena, talvez eu esteja tão faminto por algo que não sei o que é que tenha me cegado e não percebi! Será que você pode me ajudar a sair daqui, Lô? Escaparia comigo?
LORENA - E escapar para onde, homem? Precisamos ficar aqui, para ver os milagres que estão prestes a nos acontecer. Você nunca sabe quando um milagre vai acontecer. E se as flores voltarem à terra, entrarem pela raiz das árvores e brotarem novamente na copa, quase beijando o sol, que se já terá desanuviado?
JOAQUIM - E as formigas, Lolô, as formigas terão reencontrado o seu rumo?
LORENA - As formigas precisarão de um caminho, e eu não posso fazer esse milagre.
JOAQUIM - Pois os milagres que você me deu são falsos! Tão falsos que as minhas lágrimas também perderam o próprio rumo, e estão vagando descontroladas pelo meu rosto! E eu nem sei o que estão fazendo aqui, não me dói nada...
LORENA - Te dói tudo, Quim. Te dói o mundo, e eu te entendo, porque não há aspirina que resolva, não há anestésico ou tapa na cara que te faça passar a dor... É por te entender que eu preciso ficar aqui com você, mas também preciso que você fique aqui comigo, e nós esperaremos juntos que a dor passe. É a dor de existir, Joaquim.
JOAQUIM - Mas eu existo há muito, e nunca tinha me doído tanto.
LORENA - Não basta existir. É necessário descobrir que se existe. E então dói.
JOAQUIM - Ah, Lô... E o que eu posso fazer para passar?
LORENA - Procure um alento...
JOAQUIM - Um alento? Para a minha dor?
LORENA - Sim, procure algo que lhe faça esquecer, um grande amor, palavras cruzadas, filosofia, a sorte, esse fim de tarde, salvar alguma outra pessoa da dor que ela sente, tentar um novo dia, chorar as lágrimas até que faça sentido...
JOAQUIM - Não... eu preciso procurar mais perto, mais... mais perto, mais perto, mais, mais... Dentro, preciso encontrar dentro de mim. Isso que vai me desabrochar n'algo que me deixe em paz. Eu preciso encontrar dentro de mim algo que me dê paz, algo que me faça acreditar maior, algo que me faça acreditar que existir vale a pena! Preciso encontrar o que é essa angústia, o que é essa bola dentro do meu estômago, como eu faço sair? Preciso me encontrar com a minha alma, ouvir o que ela tem a dizer... Tirar de dentro de mim...
LORENA - Quim... Talvez você pudesse tentar... Não sei, é um caminho sem volta, talvez dolorido, mesmo que florido de flores poucos bastardas. Nos dias de sol, o sol lhe queimará até os pulmões, e quando chover você vai sentir o teu próprio corpo escorrendo das gotas. Mas talvez essa sua bola no estômago, a sua angústia seja necessidade de palavras: talvez o seu corpo esteja te mandando, te ordenando que você escreva, escreva, escreva, escreva, meu amor! Seja poeta, Joaquim, seja poeta e entregue ao mundo suas sensações, Joaquim, seja poeta.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Quem foi que disse ao céu que já é carnaval?
Quem permitiu que as cores transtornassem os meus olhos
sem que ninguém sambasse na rua?
Agora esses tons miscigenados
dançam dentro de mim, num ritmo lascivo
e eu não posso deixar de sentir os batuques do meu coração
ao som das cores sambando aos céus,
e se a minha alma pudesse, voaria junto às nuvens, escolhendo
escolhendo qual cor - azul, vermelho, laranja, roxo, amarelo, -
lhe cabe melhor, se será necessária fantasia
ou apenas imaginação para participar do desfile...
Quem permitiu que as cores transtornassem os meus olhos
sem que ninguém sambasse na rua?
Agora esses tons miscigenados
dançam dentro de mim, num ritmo lascivo
e eu não posso deixar de sentir os batuques do meu coração
ao som das cores sambando aos céus,
e se a minha alma pudesse, voaria junto às nuvens, escolhendo
escolhendo qual cor - azul, vermelho, laranja, roxo, amarelo, -
lhe cabe melhor, se será necessária fantasia
ou apenas imaginação para participar do desfile...
Redenção
... mas você, por favor, não se perturbe com o meu amor! O meu amor, eu bem sei, não dura para sempre. Em mim, o amor dura o tempo do cheiro. Enquanto houver o seu cheiro dentro de mim, te amarei, e nem um dia mais. Portanto, haverá um dia em que eu me olharei no espelho e não me verei com um pedaço teu, e não me sentirei culpada por tê-lo roubado de ti, e é no momento em que não há mais culpa que o amor morre. Então, eu nunca mais lhe sussurrarei essas palavras tontas, entorpecidas e irreais do amor, e estarás livre para me deixar em paz... Meu amor, só não sabemos o tempo que nos vai levar... talvez o tempo te esvaia de mim, átomo a átomo, e talvez demore... Ou talvez um outro cheiro me grude na pele, me grude na alma, nos cabelos, me grude nos olhos, e você... você não mais me verá.
Como acontece a consciência da existência? Penso, logo existo? Sinto, logo existo? Acredito ue me sei um ser vivente quando descubro a morte. Acreditar na morte prevê a crença na vida.
Então, era um ser consciente de sua realidade humana, um ser vivo, pulsante, e sem sentido. Havia, agora, a necessidade de um motivo para seguir em frente.
Então, era um ser consciente de sua realidade humana, um ser vivo, pulsante, e sem sentido. Havia, agora, a necessidade de um motivo para seguir em frente.
Por te amar, sinto alguma dor. Por isso, hoje prometo jamais dizê-lo em voz alta. Jamais direi-lhe "Eu te Amo", pois cada vez que essas palavras escoam de meus lábios, o sentido se reafirma e esse amor me doi um pouco mais. Por enquanto, me conformarei em lhe escrever quantas cartas puder - em silêncio -, apenas para alguma distração...
Classificados
Eu procuro algum carinho
Que me seja dado de graça.
Procuro um apoio.
Mas não que eu jogue meu peso todo e sufoque,
Apenas que divida os pesos comigo.
E me diga, nos dias tristes, que é feliz do meu lado.
Procuro paz,
Aquela paz de não se estar sentindo incompleto.
Procuro um abraço
Que me faça esquecer a saudade...
Procuro companhia
Que seja leve, quando possível
Mas, se necessário, que seja triste
Que esteja desconsolada: me disponho a estar junto!
Eu quero conhecer alguém fundo
Conhecer alguém na alma, no cerne.
Eu procuro, em síntese,
eu apenas tenho procurado amor!
Que me seja dado de graça.
Procuro um apoio.
Mas não que eu jogue meu peso todo e sufoque,
Apenas que divida os pesos comigo.
E me diga, nos dias tristes, que é feliz do meu lado.
Procuro paz,
Aquela paz de não se estar sentindo incompleto.
Procuro um abraço
Que me faça esquecer a saudade...
Procuro companhia
Que seja leve, quando possível
Mas, se necessário, que seja triste
Que esteja desconsolada: me disponho a estar junto!
Eu quero conhecer alguém fundo
Conhecer alguém na alma, no cerne.
Eu procuro, em síntese,
eu apenas tenho procurado amor!
Eu poderia fazer uma ode à minha ingenuidade!
Eu, sofrendo dos meus amores adolescentes
chorando-me deles com tanta seriedade
escrevendo estes poeminhas tortos
bobos, julgando saber de amor
Eu, torcendo por um grande amor
aquele que dure por tantos anos quanto poderei seguir
torcendo por um amor adulto, maduro
Eu, humildemente acreditando
que o amor muda...
E, enquanto isso,
o amor se despedaça no quarto adjacente
O amor está acabando, acabado no quarto ao lado!
Ela sai de lá com os olhos em brasa, transbordando
E ele saiu pela porta da frente, com uma ou duas roupas
Esvaiu-se, como um amor adolescente
Como o meu amor que não devia nada a ninguém.
O amor de gente grande
ah, terrível descoberta!
O amor de gente grande também morre
e é tão mais cruel...
Eu, sofrendo dos meus amores adolescentes
chorando-me deles com tanta seriedade
escrevendo estes poeminhas tortos
bobos, julgando saber de amor
Eu, torcendo por um grande amor
aquele que dure por tantos anos quanto poderei seguir
torcendo por um amor adulto, maduro
Eu, humildemente acreditando
que o amor muda...
E, enquanto isso,
o amor se despedaça no quarto adjacente
O amor está acabando, acabado no quarto ao lado!
Ela sai de lá com os olhos em brasa, transbordando
E ele saiu pela porta da frente, com uma ou duas roupas
Esvaiu-se, como um amor adolescente
Como o meu amor que não devia nada a ninguém.
O amor de gente grande
ah, terrível descoberta!
O amor de gente grande também morre
e é tão mais cruel...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Do Amor
Os seus olhos e os meus olhos, e se eu pudesse me utilizar de sinestesias, as utilizaria todas: o que acontecia dentro de mim era um caos de sensações, e eu poderia tocar o teu cheiro, amar o teu âmago, temer o teu gosto e viver a tua alma.Os seus olhos e os meus olhos e um espaço tão curto que não seriam necessárias pontes ou construções arqueológicas que ficariam para sempre, como um herói que vence a batalha e não tem mais utilidade, sentindo apenas saudade do que foram capazes. Não seriam necessárias pontes porque a distância de um braço é móvel: entre eu e você, nossos braços se entrelaçariam e as pontes deixariam de existir. Os seus olhos e os meus olhos e as horas valsando, lentamente, enquanto eu não percebia que o tempo passando era a minha alma se espremendo, de medo de ter de ir embora. O tempo que acelerava o meu ritmo interno, meu coração batendo e os segundos passando tão rápido que eu não pude desviar o olhar, te devorando as células, te devorando essa tua luz que não cega, apenas envolve. E se eu pudesse me utilizar de metáforas, se pudesse me utilizar das grandes marcas de estilo, as utilizaria todas: o amor que eu já sabia que existia, eu, você, os meus e os seus olhos.
Nostalgia
Hoje sinto saudade
saudade de você
E saudade de nós, saudade de te abraçar!
E saudade da música
do tempo, do sol que eu achava que brilhava mais bonito
do violão, saudade da rua que andava sem buracos
e de não pensar na hora que anoitece
de não precisar esquecer
nem seguir em frente
saudade de me saber viva
mais do que ser pulsante, vivo.
E de uma alma na qual apostar o corpo
E de um corpo aonde encostar o copo
E de um amor que tenha gosto de esperança
Tenho
tenho saudade de mim
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Sobre a dor
Dizem que revólver
dizem que facada
e dizem que fogo
eles dizem que isso dói
- e eu acredito! -
mas eu, que nunca apanhei,
acho que a maior dor
é esse coração batendo acelerado, acelerado,
ao ver ir embora aquele alguém,
um nosso amor,
que vai sem querer jamais ficar.
dizem que facada
e dizem que fogo
eles dizem que isso dói
- e eu acredito! -
mas eu, que nunca apanhei,
acho que a maior dor
é esse coração batendo acelerado, acelerado,
ao ver ir embora aquele alguém,
um nosso amor,
que vai sem querer jamais ficar.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
- Quem era no telefone?
- Ah... era ele...
- E seu coração bateu mais forte?
- ... (Não. Claro que não. Ou bateu? Talvez... talvez tenha batido... ele queria me ver. Será que eu estou pensando nisso? Não, não bateu nada, foi só... um pouco de saudade... coisas da minha cabeça... Da minha cabeça não, da sua que me perguntou isso! Já faz tanto tempo... Passou! Mas... e isso tudo girando na minha cabeça? Não é um pouco como um coração batendo mais forte? E esse entusiasmo em vê-lo? Talvez eu sempre sinta um pouco disso, talvez porque o que eu senti por ele foi tão enorme, tão enorme que está resistindo, mesmo depois de tanto tempo... Talvez a imagem dele, a presença dele, a voz dele, talvez essas coisas me evoquem a algum lugar do passado em que eu fui mais segura... Talvez eu sinta saudade dele. Talvez eu tenha esperanças de que agora ele queira estar comigo! Bem... talvez, talvez sim, acredito que bateu um pouco mais forte sim...) Não. Claro que não!
- Ah... era ele...
- E seu coração bateu mais forte?
- ... (Não. Claro que não. Ou bateu? Talvez... talvez tenha batido... ele queria me ver. Será que eu estou pensando nisso? Não, não bateu nada, foi só... um pouco de saudade... coisas da minha cabeça... Da minha cabeça não, da sua que me perguntou isso! Já faz tanto tempo... Passou! Mas... e isso tudo girando na minha cabeça? Não é um pouco como um coração batendo mais forte? E esse entusiasmo em vê-lo? Talvez eu sempre sinta um pouco disso, talvez porque o que eu senti por ele foi tão enorme, tão enorme que está resistindo, mesmo depois de tanto tempo... Talvez a imagem dele, a presença dele, a voz dele, talvez essas coisas me evoquem a algum lugar do passado em que eu fui mais segura... Talvez eu sinta saudade dele. Talvez eu tenha esperanças de que agora ele queira estar comigo! Bem... talvez, talvez sim, acredito que bateu um pouco mais forte sim...) Não. Claro que não!
domingo, 13 de dezembro de 2009
"Eu te conheço, e eu sei quando a sua risada não é verdadeira"
Nunca senti tanto medo. Será que você me conhece mesmo? Será que você sabe de verdade distinguir o meu tom de voz, a minha risada, será que você pôde me conhecer tanto? Eu permiti que você fosse tão perto?
Por que você não me deixou te desvendar? Por que eu não pude desmistificar os seus traços? Você não deixou? Ou eu que não soube ir ao fundo?
sábado, 12 de dezembro de 2009
Venta, venta, venta.
E não muda nada.
Quem se importa se as árvores caírem?
Quem se importa com o frio?
Quem se importa com o breve sussurrar?
E se a chuva caísse... em frios leitos
se o vento não esquecesse de farfalhar
e fizesse o gosto da dama-da-noite
perdurar pela manhã?
Se eu me encolher ao frio, quem se importa?
Quem diria que eu só preciso de um abrigo...
quem finalmente me ofereceria um abrigo?
Ninguém.
Venta, venta, venta.
E não muda nada.
E não muda nada.
Quem se importa se as árvores caírem?
Quem se importa com o frio?
Quem se importa com o breve sussurrar?
E se a chuva caísse... em frios leitos
se o vento não esquecesse de farfalhar
e fizesse o gosto da dama-da-noite
perdurar pela manhã?
Se eu me encolher ao frio, quem se importa?
Quem diria que eu só preciso de um abrigo...
quem finalmente me ofereceria um abrigo?
Ninguém.
Venta, venta, venta.
E não muda nada.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Hoje choveu
hoje choveu em mim
mas as lágrimas passaram pela minha pele
e, ao invés de evaporarem,
entraram no meu corpo, molhando até a alma
como que enxaguando a minha vida
e eu pude ver algumas das minhas cores
escorrendo pela ponta dos dedos
- não fazia questão delas! eram tristes...
Hoje choveu.
Hoje choveu dentro de mim.
hoje choveu em mim
mas as lágrimas passaram pela minha pele
e, ao invés de evaporarem,
entraram no meu corpo, molhando até a alma
como que enxaguando a minha vida
e eu pude ver algumas das minhas cores
escorrendo pela ponta dos dedos
- não fazia questão delas! eram tristes...
Hoje choveu.
Hoje choveu dentro de mim.
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