quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Texto igual 1

Tenho sonhado contigo nos últimos tempos... sonhado com seu olhar penetrando o meu... devagar, célula por célula, me tomando por inteira...
tenho sonhado com suas mãos, entrelaçando-se com as minhas do modo mais suave possível, encontrando entre meus dedos o espaço perfeito para encaixar os seus... tenho sonhado com seus beijos, os beijos mais macios, os primeiros lábios que me ganharam no mundo too.
Sonhado com tua voz me ninando mesmo enquanto está só me contando uma piada...
Mas, dentre todos os meus sonhos, só consigo me lembrar de que sonho com o dia em que te terei comigo mais uma vez, com seus olhos, suas mãos, sua boca e sua voz, com seu nome e as piadas de sempre.
Me pergunto se um dia serei tua de novo...

Texto igual 2

Nossas mãos se encaixam de modo perfeito, como se os dedos pedissem para se entrelaçar a toda hora. Como se o toque fosse necessário para que nosso mundo continue gigante, girando em paz.
Nossos olhos parecem precisar um do outro para que a visão não definhe, para não parecer cegueira, escuridão.
Minha boca descobriu que precisa da tua, precisa dela junto à mim, assim como você inteiro. Assim como tudo que te rodeia;

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sobre o tempo

Não digo pensar que ele pare
mas sei que perde a pressa
Quando você está longe
Ele olha no relógio e pensa
"Pra quê me preocupar para que a hora esteja certa?
Ela pode esperar"

E eu? Ah, eu espero.
E ele vem lento.
Quando você chega?
Ele finalmente acorda
e faz o mundo correr. E como corre!
Até o momento em que você diz
"Até amanhã!"
Mas o tempo e o amanhã param pra conversar
horas a fio, quase não chegam...
Mas eu?

Eu espero.

Clarissa

Eu acho que ela nem sabe que eu gosto tanto dela.
Eu acho que, entre todas as minhas amigas, ela é a que menos sabe que eu a amo.
Parece-me que ela tem medo que cheguem perto, então eu não me aproximo. Só aos poucos, de vez em quando, tento encontrar quem é essa menina que está sempre por perto e sempre tão longe (às vezes chego a sentir saudades...).
Ela me reprime de vez em quando, e tenho que admitir que tenho raiva quando ela tem razão, o que acontece quase sempre.
Mas o que eu mais amo nessa garota é que com ela, não são necessárias palavras. Quase nunca preciso falar para que ela me entenda (quanto ao contrário... bem... acho - e espero - que também é válido), e quando estou triste, ela não abre a boca, não fala nada para me consolar. Só me deixou claro desde sempre que seu ombro também é meu se eu precisar chorar.
Também não sei se ela sabe, mas já chorei em silêncio nos seus ombros, sem falar nada. Nem sei se ela percebeu.

Agora, lidar com o fato de que minha menina vai pra longe? Não, não quero acreditar ainda.

Contra-o-fluxo

Me sinto na contra-mão. Enquanto todos inventam modos racionais de encarar o mundo, venho ao contrário, passeando e olhando a movimentação das formigas. As pessoas acelerando partículas para simular um segundinho que aconteceu há tanto tempo que ninguém tava lá nem pra contar a história, e eu buscando um futuro no qual me apoiar! O mundo procurando mais e mais jeitos científicos de explicar o mundo e eu, procurando poesia na vida! Devo ser mesmo uma excêntrica...

Classificados: Coisas que eu procuro

Procura-se desesperadamente: óculos que possam esconder algumas realidades; um pedacinho de nuvem que me leve para algum lugar bem longe; borboletas azuis; um céu cor-de-rosa; versos; alguém que me dê o ombro para chorar (aceito comutação de ombros: os meus pelos dele(a)); o Sol; uma infância muito alegre; CDs do Vinícius de Moraes; um abrigo mais seguro; a minha solidão necessária; algumas lágrimas que deixei cair sem querer; um pouquinho mais de mim.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

E o tempo?

"Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar
A vida inteira de um inseto
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar um salário
Ser campeão da copa do mundo
Um dia em Saturno
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão
Daqui a um mês quando você voltar
A lua vai estar cheia
E no mesmo lugar"

(Biquini Cavadão - Quanto tempo demora um mês)


E um ano? Quanto tempo demora um ano inteiro?
Hoje, depois de um ano inteiro de vida, me vejo e decepciono-me. Mesmo após tanto tempo desde aquela noite, mesmo após tantas reviravoltas, tantos dias diferentes...
Sou igual, completamente igual ao que era na época! Em vários aspectos, não, eu cresci, aprendi mais um pouquinho a jogar nessa vida, conheci outras pessoas, enchergo algumas coisas de modo diferente...
Agora, quanto a você, tenho que admitir que eu não mudei. Sou a mesma pessoa, mesmíssima, te vejo com os mesmos olhos, com o mesmo friozinho na barriga, batendo os dentes como sempre... Espero você chegar e se aproximar, como fazia antes. Sinto tua presença como um calor irrompendo aqui dentro, como antes. Olho para você com vontade de chegar mais perto, como antes.
Nossa relação teve algumas mudanças, eu sei, nós até aprendemos a telepatia! Até aprendemos a nos sentir bem um com o outro...
Mas de resto, continuo te olhando com o olhar apaixonado, e você, me olhando com o olhar de um amigo, um grande amigo. E só;

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mais uma vez;

Hoje você segurou minhas mãos e disse que tudo ficaria bem, afinal o dia sempre acaba e só o que continua aqui somos nós e uma possível lembrança de um ontem pouco feliz...
E foi só quando você (você, e apesar de todo mundo ter dito o mesmo, da sua boca pareceu tão mais real, tão mais composto pra mim...) me disse isso que eu consegui aceitar minhas bobagens todas e olhar pro mundo com meus olhos de sempre.
Agora você me domina completamente e sabe disso, você sabe sempre.
Querido, entenda que você resume muitas das coisas que eu não posso entender. Você está sempre lá quando eu penso em alguém. Você me ganhou na fofura...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

E quando eu te encontrar de novo, sei que vou fugir. Sei que vou procurar qualquer nuvem ao meu alcance pra me perder do teu olhar. Vou rodar o quarteirão ao contrário, você não vai conseguir nem me ver. Nem me sofrer de novo.
E enquanto eu puder, vou encontrar outro jeito de viver: sem você. Sem jamais te tocar. Queria te deixar de sobreaviso, apesar de saber que você nem se importa muito. Apesar de saber que por você, tanto faz.
Se um dia eu conseguir esquecer o que você representa pra mim, talvez possa dissipar minhas nuvens e caminhar o quarteirão no sentido certo novamente. Então nos cruzaremos e quase não saberemos quem você é, quem eu sou. Talvez possamos nos conhecer de novo, nos apresentar um ao outro como se jamais tivéssemos estado juntos.
Até lá, não procure por mim. Não olhe pra porta esperando que eu entre e te abrace. Eu sei, você não se importa, mas não espero nada. Esqueça de mim.



--

A: Não sei, elas insistem em cair...
B: Quem? Como cair?
A: Minhas lágrimas. Agem sozinhas, caindo como se tivessem ficado maduras demais...
B: Posso te abraçar e limpá-las pra você?
A: Pode tentar, mas não vai conseguir estancar o choro. Mas agradeço!
B: É melhor tentar, se não fizesse nem isso, me sentiria culpado demais.
A: Mas você é o culpado.
B: Do quê?
A: Delas estarem caindo desse jeito.
B: Não entendi...
A: Choro por sua culpa, só sua. Sua culpa.

domingo, 24 de agosto de 2008

Cartas avulsas

Querido,

1. será que eu construo padrões para o resto da minha vida agora, nesse instante? Eu sei que é só a primeira vez que passo por isso, mas me pergunto: será que será sempre assim?

2. Me pego perguntando o que você sentiria se realmente lesse as cartas que te mando. Será que pena? Ou finalmente alguém conseguiria entender o como eu sinto o mundo e compreenderia quão perfeita eu poderia ser? Ou será que você se perguntaria por quê ainda não fugiu?

3. Gosto de apresentar questionamentos a você (e consequentemente a mim também), a Babi chamaria de provocações, o mundo diria que são inutilidades, para mim, nada de sério. É só que eu gosto de pensar.

4. Quando você sai, você pensa em mim? Quando você pensa em mim? Você sente saudade? O que você lembra de mim? Minha risada foi marcante? Ou foi o meu jeito de falar que te prendeu? Algo te prende em mim? Existe vida após a morte? Você lembra de mim? Você sente saudade?

5.O que rege uma vida?
Um olhar, um aperto de mão, uma casa nova, uma promoção no emprego, ter filhos, aprontar as malas, escrever poesias, fazer música, ganhar dinheiro, dizer coisas ao mundo, continuar vivendo, a falta de regência, um dia de silêncio, uma roupa de marca, a festa sábado que vem, o vestibular daqui a dois meses, uma noite mal-sucedida, um livro novo, um livro velho, um dom reconhecido, o sucesso, um amor de verdade?

Não espero resposta para nenhuma das cinco cartas.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aula de Física

Hoje aprendi que apesar de tudo, não posso provar a ninguém que é a terra que se move,
e não o resto do universo.
Aprendi que quase nada do que aprendi eu posso provar,
aprendi como se aprende a crer em Deus, aprendi por acreditar em quem me ensinou.

Mas logo depois, aprendi que a terra se move sim! (admito, non sense)
A 1600 km/h, ligeirinho rapidinho assim!
Então eu estou sempre correndo, ligeirinho rapidinho desse jeito!

Pára! Mundo, pára que eu quero descer!
Mundinho corre rápido demais, vamos mais devagar, por favor?
Vamos apreciando a vista, vamos mais devagar?
Hoje eu queria que o dia durasse mais, mundinho, podemos ir apenas caminhando?

E ao professor que me disse que eu não posso provar nada a ninguém, saiba você:
o mundo se movimenta porque eu sinto!
Aqui dentro, sinto o mundo girando!
Eu posso provar pra mim. Ah, eu posso.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Garimpo

Uma cena bonita. Um pôr-do-sol, as luzes se misturando no céu, o laranja, amarelo, o início de uma noite estrelada.
No chão, um riozinho passa no meio da paisagem. Corta os dois morros, corta o sol em dois, talvez até o mundo inteiro ao meio! Dos lados do rio, campos verdes e floridos, as flores das mais belas cores, tons e formatos. Uma cena bonita, apesar de bucólica.
Uma menina. No centro de tudo, uma menina. Sentada na beirada de uma das metades do mundo, olhando a paisagem, as cores tão lindas ofuscadas pelas lágrimas que caem engrossando o riozinho. Uma cena bonita, mesmo triste.
A menina se levanta, levanta as calças até os joelhos e entra na parte mais rasinha do rio. Lava o rosto, não vale a pena chorar agora! Agora é preciso encontrar algo que valha a pena ali dentro. Algo de precioso, algo em que se apoiar. É preciso procurar bastante, lá no fundo, para que se possa acreditar no bom.
Pega na beira do rio sua enorme peneira e primeiro joga lá em cima todos seus sentimentos. Então, coloca muito bom-senso por cima, para separar as pedras das outras coisas podem brilhar. Depois de chacoalhar sua peneira por algum tempo, joga fora as mágoas, joga fora o ressentimento, o rancore as más lembranças.
Consegue distinguir ali no meio suas preciosidades: cada riso, cada amor, todos os momentos bons, todas as vezes que tomou banho de chuva, quando ela vê o passarinho cantando e sorrindo, a natureza dentro dela. Guarda-as numa caixinha e continua olhando sua peneira. Vê ainda tantas coisas!
Percebe, são coisas boas, mas não tão boas, e coisas ruins, mas não tão ruins... O que sobrou ela devolve ao rio.
Agora ela se sente solta para continuar em paz, para seguir sua vida a partir dali.
Agora ela se sente em paz.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sobre o choro

Somos panela com tampa
E leite esquentando lá dentro.
Toda vez que o mundo gira rápido demais
o leite esquenta demais
e vaza.
E nós choramos.

E cada lágrima é palavra
que não tivemos coragem ou tempo ou oportunidade de dizer.
E ao caírem, molham o papel
e extravasam.
E levitam.
Até morrerem, esquecidas
ou escritas no papel, eternizadas.

Você

Entra na minha vida e se demora
não há motivo para ir embora
Você nem tem que olhar a hora!

Meu bem, temos a noite inteira
Temos a vida inteira
Hoje nós podemos acreditar em 'pra sempres'
Nem que seja só por uma noite.
Nem que seja só pela próxima meia hora
Eu já me decidi:
não quero me ausentar da vida por medo de amar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Comentário sobre um assunto banal...

... e eu fico abismada com o jeito que as pessoas têm trocado de amor. Como se encontrassem um 'amor da vida' por semana!

Vejo todos se apaixonando e desapaixonando e reapaixonando e desapaixonando novamente em questão de segundos! Parece que não dá mais tempo nem de prestar atenção em cada detalhe referente ao apaixonante; saber exatamente o que significa um sorriso ou um olhar, saber apreciar, saborear, decorar cada palavra vinda da boca amada...

Pois eu sou uma amante à moda quase antiga: meu coração tem baixíssima rotação!





A Flávia, do http://url--indisponivel.blogspot.com/ me mandou um selo há muito tempo, e eu não soube o que fazer(!)! Primeiro selo a gente nunca esquece!
Agora, com as devidas orientações, repasso esse para a Jú do http://cadapartequemefaztoda.blogspot.com/, pra Dayane do http://palavrasdenanita.blogspot.com/ e pra Meire do http://de-fora.blogspot.com/.


Obrigada, Flávia, adorei!

domingo, 6 de julho de 2008

Sobre o fim e o começo

Não sei ainda qual é o mais difícil
Escolher as palavras no começo
Ou simplesmente não ter mais que escolhê-las, no fim.

O leque do começo.
O vácuo do fim.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Me encontro na rua
Há poesia nesse encontro.

Quem se encontrou comigo?
Eu, ou meu eu-lírico
cheio de lirismos?

Eu.. lírico
Pois seu lírio?
Sírio. Sério.
Sorrio.

Pois se há poesia
há eu-lírico
ou teu-lírico
nós-líricos

Meu-lírico se expressa
Aqui, agora,
sou eu ou eu-lírico?
Somos a mesma pessoa?
Ou o eu-lírico sou eu
quando me dá de escrever poesias?
Meu eu-lírico não sabe responder todas as minhas perguntas.
Ele apenas sou.
Cheio de lirismo;

terça-feira, 17 de junho de 2008

Não há o que escrever
Não há nada aqui dentro para ser exposto
Não há flor, não há ramo, não há nada
Você não está por perto e tampouco eu estou

Voando longe, deixo apenas as palavras me escreverem
É uma atividade interessante:
deixar as palavras saírem
naturalmente
Não tenho que ler a última linha.
Pronto, eu não tenho que fazer sentido.
Porque hoje não há sentimento.
Hoje não há estrela lá fora,
hoje eu não existo integralmente,
mas me sinto tão mais completa que o normal.
Assim, escrevendo as palavras sem escolhê-las

Não sei da qualidade do texto
mas sou eu sem pensar demais
sem muitos paradigmas
Hoje queria te beijar e estar com você,
mas não quero mais falar sobre isso.
Porque não agüento minha situação em relação a você.

Odeio segundos vazios
odeio o ódio e odeio odiar.

Hoje quero ter o sol dentro de mim
Hoje quero entrar em mim
Hoje quero esquecer do resto.

Hoje não quero palavras conexas.
Hoje não há palavras.
Hoje não há o que escrever.

Errei...

Tenho que admitir que eu não sei mais me controlar
não sei controlar o que te sinto
E não há nada mais triste do que saber que errei
Ah! Sim, errei mais uma vez

Errei ao te querer por perto
Errei ao pensar que dessa vez não me apaixonaria
Errei ao sentar ao seu lado
e aceitar o seu papo.
Errei ao acreditar que dessa vez seria diferente.

Não foi. Você me tem na palma da mão novamente
Você me tem inteira, quando quiser, mais uma vez.
Você me tem morrendo de ciúme sempre que olha pra ela
Não queria sentir tanto ciúme...
Odeio sofrer por te amar tanto,
Odeio sofrer tanto.

Sigo errando ..............Errei por te amar
Sigo errando ..............Errei por te admitir ao meu lado
Sigo errando ..............Errei por querer estar ao teu lado
Sigo errando ..............Errei por nos dar mais uma chance
Sigo errando ..............Eu errei demais
Sigo errando ..............E sigo errando.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

12/06

Pronto. Não preciso de ninguém aqui hoje.
Eu posso ficar só, pois tenho tudo que preciso para estar feliz.

Tenho a minha música,
que me embala, me balança a alma.
Tenho a minha tortinha de nozes.
Aliás, acho que se não fosse essa tortinha
hoje não seria tão completo assim!

Tenho o Sol, brilhando, aquecendo,
tenho o vento, balançando meus cabelos e as páginas de poesia
Tenho essa grama na qual estou sentada
macia, me acaricia...
E só.
Tenho a mim mesma, quase auto-suficiente.
Uma companhia, é claro, seria bem vinda,
mas só, sozinha, aqui, já estou muito, muito feliz!


(E para quem tem alguém sentado ao lado, meus sorrisos :)

terça-feira, 10 de junho de 2008

- É que a gente só quer se encontrar, né...
- Se encontrar aonde?
- Na gente mesmo, se encontrar com a gente mesmo!
- Eu quero mesmo é me encontrar rico lá na cidade alta!
- Não, isso todo mundo quer! O que eu tô falando é de saber quem a gente é, né...
- Eu sei quem eu sou! João da Silva, 25 anos. Sei tudo a meu respeito, tudinho tudo mesmo!
- Não, Joãozinho, tô falando de poesia, tô falando de olhar um céu bonito e se ver lá dentro, olhar e ver, de vez em quando, sabe?
- Sei não, dona moça, eu acho que você tá é caducando!
- Um dia cê vai me entender, seu João! Começa a olhar mais pro céu, um dia cê vai se ver lá dentro, e vai é começar a pensar... pensar na vida, nas coisas da vida... Aí cê vai compreender do que eu tô te falando hoje... Cê vai perceber que o sol de vez em quando até sorri pra gente!
- Não dá pra ver se o sol sorri mesmo, a gente não consegue olhar muito tempo, o sol brilha demais...
- É disso que eu tô falando! Do sol brilhando tanto, mas tanto, que você só vê os sorrisos dele... E o vento venta tanto vento que lembra os dias de criança brincando na rua, e ficar tudo sujo de terra de tanta alegria... Um dia cê vai me entender, Joãozinho.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

- Filha, ontem fez sol?

- Claro, pai! Ontem teve primeiro neblina, e depois o sol, ficou até que quente, se a gente comparar com os outros dias!

- Puxa vida, eu nem vi!

É com tristeza que concluo, então, que o futuro não é a coisa que eu mais quero na vida.
Meu Deus, o futuro não olha pro céu! O futuro não presta atenção em nenhuma coisa grandiosa como o dia após o outro...
Primeiro, a surpresa do céu, do Sol, do mundo. Depois, o aconchego do dia-a-dia.
Depois, o costume. O hábito. Apaga-se qualquer informação banal do cotidiano. Assim, feito poeira que a gente limpa com flanela de cima do armário;

Futuro, não te quero!
Não assim, por favor...
Quero a surpresa do mundo lá fora, quero essa surpresa pra sempre na minha vida...

Um desabafo a um amigo que jamais lerá isso.

O amigo diz à amiga, chateada por não ter um namorado, a seguinte frase:

"Melhor não ter uma pessoa assim do que ter e perder..."

Claro, esse amigo passa atualmente pelo fim de um relacionamento importante, tem sofrido com isso. Claro.
Passei os últimos dias pensando nessa frase... Então, meu amigo, será que é melhor mesmo?
Então é melhor jamais saber o sabor da fruta apenas porque uma hora ela vai acabar?
É melhor não experimentar pelo medo do fim?!
Meu amigo, qual relacionamento não acaba? Qual relacionamento não traz sofrimentos?
Nem as ligações de sangue são à prova de bala... Até os átomos, minúsculos, podem ser separados - e as conseqüencias, como sempre, são explosivas! - e todo mundo tem que lidar com isso...
Você preferia jamais ter conhecido a sua namorada? E jamais ter vivido com ela o que viveu? Aprendido com ela tudo o que aprendeu?
E todas aquelas tardes em que você acreditou não precisar em mais nada, além da sua garota ao seu lado? E aqueles beijos?
Não valeram a pena?

Não valeram a pena, meu querido?!
Agora que acabou e só há sofrimento, talvez você não entenda...
Mas na minha opinião, é claro, melhor é mergulhar, mergulhar de cabeça nos relacionamentos - puxa vida! De qualquer maneira, uma hora vai acabar... E vai haver sofrimento, e coisas boas e coisas ruins. E aprendizados, muitos.

Agora, olhe ao redor. Milhões de opções pra sua vida continuar... Sua garota fará o mesmo, novas portas, novos momentos... Te prepare, querido, te prepare que o mundo te espera demais...

domingo, 1 de junho de 2008

A valsa

Um-pra-lá, um-pra-cá.
Um-pra-cá, um-pra-lá.
Dois-pra-lá, minhas mãos enlaçando teu pescoço.
Dois-pra-cá, duas tuas mão em volta da minha cintura
O piano toca uma música para nós dois
Umpralá e um palco todo iluminado por nosso movimento
Doispracá e mais nada além de você e eu.

Enterro meu rosto nos seus ombros: entregue a você.
Minhas bochechas ruborescidas e eu, agradecendo por você não estar vendo
Lá fora, o frio cortante.
Mas aqui contigo, o mundo é agradável, quente.
E só com você tudo é tudo de bom.

Umpralá você consegue ouvir?
Umpracá desculpe, ouvir o quê?
Doispralá meu coração batendo mais forte...
Doispracá mas na verdade, nossos corações estão no mesmo compasso!
Nossos corações colados batem juntos,
e já nem sei mais onde eu termino
e você começa.

Rodopiamos por nosso palco amarelo.
Eu rio: nervosa que estou.
A música cessa.

Não! Não me solte!
Fique aqui comigo...
Se você for, o que de mim continua comigo e contigo?

Outra música começa.
Voltamos a rodopiar.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Saída discreta pela porta dos fundos

Sua alma jamais caberia no corpo
Era pequena demais, ou talvez muito grande!
Se alimentava de solidão,
Não passava de ninguém;
Não há descrição, não há características a ela
Mas não era infeliz,
apenas confortada em sua posição insignificante,
pois era assim que devia ser,
as coisas para ela seriam sempre assim.
Talvez apenas porque jamais soubera como seria a vida diferente.

Mocinha, te esperava uma outra história
esperava que encontrasse outro modo de viver
Não deu tempo:
demorou demais!




(Poesia baseada num livro muito bom, leiam se lhes interessar: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. O livro é milhões de vezes melhor que a poesia ;D)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Mas eu, perdida de mim mesma,
segurei aquele sonho nas mãos, como conchinha. Apertei forte - "não fuja, sonho bom!" - contra o peito. Quis abraçar
aquele sonho bom. Quis dividir meu sonho com todo mundo,
ninguém veio.
Quis escrever o meu sonho bom. Quis que todos lessem.
Ninguém soube lê-lo.
Representei meu sonho na praça pública - da República!
As pessoas passavam por mim e, desconfiadas, davam-me as costas.
À noite, deitada no jardim, tentando enchergar as estrelas - tantas luzes nessa cidade! -
encontrei você,
que disse que sonhava o mesmo que eu.
Vi em cada olho teu uma estrela, minhas estrelas.
Então sonhamos juntos, nossos sonhos bons...

Mas eu...

Eu não te faria sofrer como ela faz,
eu não te magoaria constantemente como ela...
Não! Perfeita eu não sou!
Me fizeram com falhas, defeitos, como qualquer um
Mas jamais te machucaria propositalmente,
Propositalmente, não!

Não como ela faz,
ela te faz tão mal e você continua insistindo...
Enquanto isso,
infelizmente te espero,
te espero e asseguro que se um dia você me der tal chance,
propositalmente, não...

terça-feira, 13 de maio de 2008

...

Você abre os olhos.
O vê ali, na sua frente. Hmm... Seria tão bom estar mais perto dele.
"Não!" Alguém grita;
Você olha ao redor. Não há ninguém além daquele rapaz e da sua vontade de encostar nele.
Encostar nele seria tão bom... Abraçá-lo, talvez beij...
"Não!" gritam novamente.
Você se pergunta se não está ficando louca. Não há mais ninguém...
Quase volta às suas divagações, mas a voz volta:
- Ei! Sou eu, não me vê? Seu passado muito próximo...
Olha para cima e vê a si própria. Mas não como você é hoje. A sua imagem flutuando ao seu redor tem a maquiagem borrada, se veste completamente de preto, acabrunhada, entristecida.
"Mas essa era eu? Quando?" você se pergunta. A resposta vem pronta:
- Não se lembra mais de mim! Cicatrizou, então, hein?! Mas do garoto ali, você se lembra... Pois foi ele que te causou esse passado tão desagradável!
E então, a lembrança... Primeiro, um momento igual a esse que você vive nesse momento: você e ele, só vocês dois. É claro, o encantamento e a paixão em seguida. Tudo tão bom...
Depois - meu Deus!- , a noite acaba, o sol nasce, ele sai de perto. Ele vai embora, mas a paixão fica.
Nem mais um olhar, nem mais um sorriso. Muitas, muitas poesias, muitas lágrimas, e o tempo passando.
Aos poucos, você e ele se reaproximam, talvez uma amizade seja possível! Paradoxalmente, você e a sua imagem do passado se afastam.
Você se convencendo que passou, agora vocês são só amigos, mas seu passado já sacudia de leve a cabeça...
- Você não passa de uma lembrança! Dessa vez é tudo diferente! - você responde ao seu passado.
- O que é diferente? Você não aprendeu nada!
- Claro que aprendi... Dessa vez é diferente...
- Pois você vai ver... Hoje sou só um passado meio apagado, mas amanhã eu serei teu futuro! Você não aprende mesmo...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Diálogo

“Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar,
Ai que bom que isso é, meu Deus,
Que frio que me dá o encontro desse olhar!”
(Vinícius de Moraes – Pela luz dos olhos teus)

Ele: Ei. Vem cá.
Ela: Que foi?
Ele: Vem cá!
Ela: Cá onde? Cá onde está?
Ele: Sim, cá onde estou. Vem.
Ela: Por que você tá me chamando?
Ele: Te quero aqui, cá onde estou.
Ela: Mas eu não posso ir.
Ele: E por que não?
Ela: Não posso me chegar aí. Não posso...
Ele: E por que não pode?
Ela: Tenho medo de te ver tão de perto.
Ele: Não mordo não. Vem cá.
Ela: ...
Ele: Eu tô com dor de cabeça. Me abraça?
Ela: Não era só estar perto? Pronto, estou aqui! Mas abraçar? Você tá é querendo me ver apaixonada de novo!
Ele: Mas eu só quero um abraço. Assim, um braço seu por cima do meu ombro, agora o outro... Com meus braços em volta da tua cintura... Fácil, assim. Agora eu coloco minha cabeça no teu ombro. Apoia tua cabeça no meu ombro!
Ela: Quer me apaixonar de novo. Me fazer sofrer de novo!
Ele: Só um abraço... Hum... Você tem um cheirinho bom...
Ela: Pronto. Te abracei, dei tudo que você me pediu. Posso ir embora antes de te olhar nos olhos?

Ele: Qual o problema dos olhos?
Ela: Não é problema. É paixão.

domingo, 4 de maio de 2008

O chão (não) amparou

O prato caiu!
O chão amparou.
O Gato caiu!
O chão amparou.
O cabelo caiu...
O chão amparou!

Tudo, tudo no mundo que cai
o chão amparou

Mas teve um dia
Você foi embora
meu mundo caiu
o chão afundou,
desapareceu
virou abismo
Não acho mais um chão
só queda
só queda.