domingo, 15 de novembro de 2009
Por vezes olho para ela e vejo uma praia,
em outras vejo chuva
de vez em quando a vejo no topo do Everest,
ou é de deserto
Noutras vezes vejo o sol brilhando,
com sorte posso ver tempestades de areia!
ou uma tarde amena...
Às vezes penso que dentro de seus olhos escondem-se estações meteorológicas...
em outras vejo chuva
de vez em quando a vejo no topo do Everest,
ou é de deserto
Noutras vezes vejo o sol brilhando,
com sorte posso ver tempestades de areia!
ou uma tarde amena...
Às vezes penso que dentro de seus olhos escondem-se estações meteorológicas...
domingo, 8 de novembro de 2009
Primeiro sinal.
Segundo sinal.
Terceiro sinal.
Agora acendam-se as luzes da ribalta!
Primeiro ato,
o primeiro passo em cima do palco,
a primeira palavra que ainda não fez sentido.
O que encenaremos agora?
Podemos contar uma linda história de amor!
Ou uma trágica história de amor...
Talvez uma história daquelas que têm gosto de fim de tarde,
um amor com gosto de fim de tarde.
Segundo ato,
se já sabemos qual é a nossa história
se é que é uma história:
talvez seja apenas amor
puro, descrito em rubricas
se já sabemos disso tudo, contemos ao público:
eles esperam com alguma ansiedade pelo desenrolar
que as línguas e as mãos desembrulhem, com cuidado,
o fio condutor
Quando será o clímax?
Será que nós nos emocionaremos?
Será que nós seremos envolvidos pela luz?
Terceiro ato.
Agora nos perderemos entre as sensações
se já dissemos a que viemos,
já fizemos essa história acontecer
já vimos o amor ser encenado
- pois qualquer peça é amor sendo encenado -
agora a ribalta há de se apagar novamente
e a plateia há de ir embora
agora hão de limpar o palco
pegar os destroços
levá-los embora
O amor que esteve em cima do palco ainda está lá.
Segundo sinal.
Terceiro sinal.
Agora acendam-se as luzes da ribalta!
Primeiro ato,
o primeiro passo em cima do palco,
a primeira palavra que ainda não fez sentido.
O que encenaremos agora?
Podemos contar uma linda história de amor!
Ou uma trágica história de amor...
Talvez uma história daquelas que têm gosto de fim de tarde,
um amor com gosto de fim de tarde.
Segundo ato,
se já sabemos qual é a nossa história
se é que é uma história:
talvez seja apenas amor
puro, descrito em rubricas
se já sabemos disso tudo, contemos ao público:
eles esperam com alguma ansiedade pelo desenrolar
que as línguas e as mãos desembrulhem, com cuidado,
o fio condutor
Quando será o clímax?
Será que nós nos emocionaremos?
Será que nós seremos envolvidos pela luz?
Terceiro ato.
Agora nos perderemos entre as sensações
se já dissemos a que viemos,
já fizemos essa história acontecer
já vimos o amor ser encenado
- pois qualquer peça é amor sendo encenado -
agora a ribalta há de se apagar novamente
e a plateia há de ir embora
agora hão de limpar o palco
pegar os destroços
levá-los embora
O amor que esteve em cima do palco ainda está lá.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Das luzinhas de natal e o fim de um ano
Às vezes sou tão fraca! Andei sentindo medo... estou sentindo medo agora, talvez seja difícil de entender. Estou com medo do fim, e essas luzinhas de natal estão me mostrando que ele não demora a chegar! Quando enfeitam as ruas com luzinhas de natal meu coração aperta porque o ano acabou, apesar de eu ainda escrever a mesma data no caderno. Assim, terei de assumir que o tempo passou mais uma vez e talvez eu tenha ficado para trás. Em breve, terei de fazer uma nova lista - igual à que fiz no ano passado - com as coisas que desejo mudar em mim, e terei de acreditar que o fim de um ano representa renovação... mas para mim significa apenas o fim... o fim de algo que com certeza tem sido bom! E se o ano que vem de fato significar uma renovação, mas para algo tão diferente que eu considere pior? E se, novamente, eu for incapaz de me melhorar como desejei na lista? E se o ano quiser começar e eu não estiver pronta?
sábado, 31 de outubro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
o que eu não consegui falar
... e talvez no ano que vem eu não possa estar aqui, o que me desespera um pouco. Eu sinto medo de não viver esse momento novamente, não dentro desse lugar que é o meu mundo, o meu motivo. Eu sinto medo de, no ano que vem, não aguentar a barra e ter de desistir da minha maior paixão, desistir do lugar que pertenço, desistir dessa roda e dessas lágrimas e do cansaço e do caos de estar aqui. Pode parecer paradoxal, mas em cima desse palco é o lugar em que me sinto mais segura, apesar da plateia esperando, apesar de todos os erros, apesar de tudo poder dar errado, esse é o meu lugar. Não qualquer outro palco, não qualquer outra plateia. É por isso que estou chorando tanto agora: sinto medo de não conseguir seguir em frente.
sábado, 24 de outubro de 2009
Vó,
Hoje eu não pude evitar de chorar ao te ver. Não há nada mais terrível do que, afinal, perceber que o tempo passa mais rápido para você do que para mim, e que você já está tão cansada...às vezes penso que você gostaria de dormir e não voltar, até que a tosse cesse, e você possa novamente caminhar pela praia sem se sentir cansada, e que você não precise mais de todos esses remédios para que o seu coração bata normalmente. Vó, eu sou tão egoísta! Vivo apenas preocupada com os meus problemas, com a prova de matemática, e você tem tantos problemas tão mais reais e se contenta apenas em pensar em mim, talvez me ver uma vez ao mês - se tiver sorte -, em me deixar feliz... Vó, eu sinto tanto medo de não mais poder te ver, não poder te abraçar, sinto medo de você fugindo e eu percebendo que passei tantos anos fugindo de você...
Vó, você também sente medo?
Vó, você também sente medo?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Na tua garganta, o que deveria ter sido um grito agora é esse nó te fechando, te impedindo de brigar com quem te magoa, e a dor que você pensou que seria apenas emocional, que você pensou que te apertaria apenas nos seus pensamentos, aquela dor agora está inflamada dentro do teu corpo e você não pôde brigar sozinho contra ela. Você precisa tomar esses antibióticos, que destroem um pouco da vida que existe em ti, destroem um pedaço da beleza que te envolve, mas eles ajudarão um tecido que precisa de ajuda, que precisa de apoio, e depois disso estará tudo bem...
sábado, 17 de outubro de 2009
There was this sky
where I wrote your name
but I forgot to let it go
and now I'm still waiting
'till the day you'll come back,
and if you change your mind
please get in touch
let me know about your dreams
tell me what's hurting you
and where you'd wish to go
would you like me to go with you?
would you like to join me
writing beautiful names on the sky?
where I wrote your name
but I forgot to let it go
and now I'm still waiting
'till the day you'll come back,
and if you change your mind
please get in touch
let me know about your dreams
tell me what's hurting you
and where you'd wish to go
would you like me to go with you?
would you like to join me
writing beautiful names on the sky?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Gilberto
"Quando eu era pequeno, não tinha medo de alma penada: quando eu perguntava o que era alma, as pessoas me diziam que era algo que ficava dentro da gente, aí eu pensava que a alma precisava de um lugar pra ficar, e o maior lugar pra minha alma era no pulmão... Então, as almas penadas eram pulmões cheios de penas! Eu imaginava isso: um pulmão cheio de penas voando! E não dá pra ter medo dessa imagem..."
domingo, 4 de outubro de 2009
Gabriel,
hoje cheguei a sentir dó de você.
Eu te admirava, te admirava tanto, mais do que a qualquer outra pessoa, porque eu achei que você tinha tudo que eu precisava, porque eu achei que você tinha a segurança que eu nunca pude ter sozinha, e se fosse com você, eu me sentia - apesar de tudo - segura. Como se você pudesse me proteger do que você mesmo fazia comigo. Agora que o tempo passou, eu percebi o quão inseguro você realmente é, e o quanto você finge ao mundo que está tudo bem.Você se camuflou nesse teu jeito a tal ponto de perder quem realmente é, enganando até a si mesmo! Por que não ser mais honesto consigo? Comigo? Com todos? Por que não admitir que você não é ultrapotente nem perfeito, mas que tem tantas fraquezas, como qualquer um?
Eu te admirava, te admirava tanto, mais do que a qualquer outra pessoa, porque eu achei que você tinha tudo que eu precisava, porque eu achei que você tinha a segurança que eu nunca pude ter sozinha, e se fosse com você, eu me sentia - apesar de tudo - segura. Como se você pudesse me proteger do que você mesmo fazia comigo. Agora que o tempo passou, eu percebi o quão inseguro você realmente é, e o quanto você finge ao mundo que está tudo bem.Você se camuflou nesse teu jeito a tal ponto de perder quem realmente é, enganando até a si mesmo! Por que não ser mais honesto consigo? Comigo? Com todos? Por que não admitir que você não é ultrapotente nem perfeito, mas que tem tantas fraquezas, como qualquer um?
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Faz-me fugir aos tédios da rotina!
Faz-me procurar noutros cantos sorrisos em conforto
Faz-me correr de medo
Faz-me tremer num frio de quarenta graus.
Dá-me sentido de dia
Dá-me sentidos à noite
Dá-me algo que eu ainda não sei que não posso viver sem.
Dá-me esse som que acaricia, essa voz que embala
Dá-me o que tiver a me oferecer...
Faz-me procurar noutros cantos sorrisos em conforto
Faz-me correr de medo
Faz-me tremer num frio de quarenta graus.
Dá-me sentido de dia
Dá-me sentidos à noite
Dá-me algo que eu ainda não sei que não posso viver sem.
Dá-me esse som que acaricia, essa voz que embala
Dá-me o que tiver a me oferecer...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Cotidiano
Ao menos se todo esse cimento sorrisse de vez em quando!
Mas não, ele mantém-se em silêncio
não importa o que lhe ocorra
Como se fosse indiferente às passadas
desses transeuntes que o pisam para dentro do passado.
Como se os transeuntes fossem indiferentes a si mesmos
e, ensimesmados, esquecessem que suas histórias sempre pertencem a mais alguém
Como se as histórias fossem indiferentes aos donos:
elas só pensam em pagar as contas no fim do mês!
Como se o mês fosse indiferente ao próprio tempo
que não sabe até quando poderá passar sozinho
Como se o homem sozinho não soubesse ser indiferente
ao próprio silêncio, à própria dor
ao fato de ser mais um transeunte desgastando o cimento que,
assim como ele,
apenas aguenta o peso.
Mas não, ele mantém-se em silêncio
não importa o que lhe ocorra
Como se fosse indiferente às passadas
desses transeuntes que o pisam para dentro do passado.
Como se os transeuntes fossem indiferentes a si mesmos
e, ensimesmados, esquecessem que suas histórias sempre pertencem a mais alguém
Como se as histórias fossem indiferentes aos donos:
elas só pensam em pagar as contas no fim do mês!
Como se o mês fosse indiferente ao próprio tempo
que não sabe até quando poderá passar sozinho
Como se o homem sozinho não soubesse ser indiferente
ao próprio silêncio, à própria dor
ao fato de ser mais um transeunte desgastando o cimento que,
assim como ele,
apenas aguenta o peso.
Paradigma
Se todos dizem que rodar o mundo significa viver aventuras, como eu poderia assumir que, dentro de um olhar, eu descubro mais que do alto as pirâmides do Egito? Se a população em massa grita por dinheiro, como eu vou dizer que só quero liberdade? Se o mundo corre atrás de relacionamentos considerados 'normais', com que coragem eu vou admitir que prefiro correr alguns riscos? Se todos querem o que todos consideram certo, como eu diria que nem tudo que consideram certo é certo pra mim?
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Áurea
- ... tudo devido aos compostos nitrogenados.
- Eu não acredito nisso, Áurea!
- E você está apaixonada, Julinha?
- Estou.
- Me diga, o que você sente quando vê a criatura, hein?
- Ah, professora, que coisa mais constrangedora...
- Palpitações?
- Sim...
- Suores na mão?
- É... sim...
- O nózinho no estômago?
- Uhum...
- Então! Quando você vê o ser amado, o seu cérebro emite alguns compostos orgânicos nitrogenados que geram todas essas coisas. Comprovado cientificamente. O que ainda não descobriram é o que faz com que esse rapaz te desencadeie todas essas reações, e não qualquer outro por aí.
- Eu não acredito nisso, Áurea!
- E você está apaixonada, Julinha?
- Estou.
- Me diga, o que você sente quando vê a criatura, hein?
- Ah, professora, que coisa mais constrangedora...
- Palpitações?
- Sim...
- Suores na mão?
- É... sim...
- O nózinho no estômago?
- Uhum...
- Então! Quando você vê o ser amado, o seu cérebro emite alguns compostos orgânicos nitrogenados que geram todas essas coisas. Comprovado cientificamente. O que ainda não descobriram é o que faz com que esse rapaz te desencadeie todas essas reações, e não qualquer outro por aí.
sábado, 19 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Querido,
por favor, me desculpe. Por favor, eu não quis te magoar. Eu gosto tanto de você que não consigo sequer lidar com a sua chateação. É a você que eu quero, mais do que qualquer pessoa no mundo. Por você, eu abriria mão de qualqer motivação, abriria mão de tudo, porque te amo. Mas essa noite você se manteve tão longe de mim... você virou para o outro lado e eu achei que tinha encontrado alguém mais interessante que eu... meu amor, senti tanto medo! Fui fraca, me senti tão impotente, passei o tempo pensando que queria que fosse você ao meu lado, só você... Por que agi como foi? Insegurança... Me perdoe, por favor não desista de mim, por favor não conclua que eu não valho a pena, por favor...
terça-feira, 15 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Nada como a evolução tecnológica!
Agora, se um membro do meu corpo
for destruído, despedaçado
até não restar mais nada
já inventaram diversos meios
de fingir que estou inteira:
nem percebem que me locomovo
com pernas mecânicas
ou que abraço
com braços mecânicos
ou que esses meus olhos
- que até brilham! -
são feitos de vidro
E não será surpresa
se, por acaso, descobrirem
que hoje eu vivo só com
esse meu coração de lata...
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Inércia
Não posso ver nada dentro desses olhos. Cada um de nós tem suas próprias motivações, mas às vezes não compreendo o que estamos todos fazendo aqui. Estou sentada nessa cadeira porque eu vivo dessa paixão, é por ser apaixonada pelo encontro que me mantenho aqui, vendo todos esses corpos empurrarem o ar como quem chuta pedras, sem perceber quão precioso é isso que têm em suas mãos... seguindo em apenas porque o tempo assim impõe, porque não há outro lugar para estar... Me digam, por quê vieram? Não lhes peço que amem como eu amo, mas imploro que lutem o mínimo para que funcione! Para que o fim não seja triste como eu o estou vendo, para que essa ribalta se orgulhe de nos ver lá em cima, para que possamos acreditar que nós merecemos os aplausos no fim do espetáculo...
O cheiro da iminência
O que mais me encanta na vida não é o fato; não é o ato, mas o presságio, a vibração do ato. Me encanta o cheiro da chuva antes da chuva cair, aquele sabor doce no céu da boca, a brisa leve que me acaricia os cabelos, sussurrando ao meu ouvido a promessa dessa renovação iminente. Me encanta o último segundo antes do beijo, o olhar trêmulo que precede a entrega, o toque leve das mãos, o abraço. Me arrepia o último instante antes do adeus, o percurso da lágrima antes de cair pelas bochechas, um último suspiro precedendo a morte - ou o nascimento -, e sou inteira feita de iminências: talvez apenas por achá-las belas ou, quem sabe, por ser covarde e jamais poder terminar a ação.
domingo, 6 de setembro de 2009
Quem sou eu:
Cinco sentidos, órgãos sensoriais, ossos, carne, corpo. Rosto, pintas, cabelos, unhas. Pernas, pés, abraço. Mãos, enlaço. Boca, beijo, sorriso, abrigo. Música, vida, letras. Palavras. Sentimentos, sensações, emoções. Pensamentos, perguntas (nenhuma resposta!), permeio. Um pedaço de céu, outro tanto de raiz. Raízes emocionais. Sinais vitais, reflexos biológicos, respostas de olhar. Segredos abertos, amor - de mãe, de amiga, de família, de mulher. De cima do palco, encenação; de cima do muro, entrega. Muita alegria e muito silêncio. Às vezes, alguma dor ( e com a dor, amnésia)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
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