terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eu sei
que as lágrimas vão lacear
esse enorme nó formado na minha garganta

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ao vendedor de flores que quis ensinar seus filhos a escolher os seus amores

Podemos escolher as flores, encará-las todas numa enorme floricultura e pegar apenas as mais bonitas ou as que provavelmente durarão mais tempo. Podemos escolher entre as infinitas cores guardadas em cada pétala. Tirar do bolso uma lupa e examinar, em detalhes, rosa por rosa, gerânio por gerânio, margarida ou girassol, ou qualquer outra. Podemos, finalmente, optar por não ficar com nenhuma, se a conclusão for de que nada vale a pena.

Agora, moço, o amor a gente não escolhe. Não dá pra decidir a quem ou como amar, dependendo da conveniência, do humor, não dá. Moço, amor a gente ama e pronto. Não tente ensinar ninguém a amar, porque você vai falhar. Entendo que queira proteger seus filhos da dor, mas ela vai vir em algum momento, odeio dizer isso, mas você vai falhar.
A maravilhosa
- ou terrível! -
Capacidade do ser humano
de se acostumar

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Poesia desregrada

Eu não sei escrever sonetos
Com rimas emparelhadas
- meu Deus, nem rimar eu sei! -
ou a métrica detalhista

Eu não sei escrever em versos alexandrinos
Não reconheço a retórica poética
Não consigo utilizar os modelos pré-receitados

Eu escrevo porque sinto
E o que eu sinto não vem
em pacotes de dez sílabas poéticas

O que eu sinto estravasa
é maior do que eu
Meu amor escolheu a poesia desregrada
para me contar do seu tamanho.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ode ao amigo, comigo

Não sei me definir
Mas vou poder dizer
ou agradecer a quem me quer bem
Porque em cada olho meu brilha uma Olívia
E em qualquer hora mora Bruna
Graziela é minha rima rica
As palavras do vocabulário são Thaís
Num silêncio cúmplice sou Clarissa
Se sou infinitamente companheira, tenho João Pedro sempre
Quando canto queria ser Natalia
No meu desejo pela felicidade também.
Só Caio numa cruzada
E um sorriso de Ana me encanta
Se posso ser sarcástica e fofa ao mesmo tempo
encontro Carolina
Posso ser engraçada - mas sempre muito mais que isso!
Então tenho meu Gabriel, mistério e cativo
Ou mais Gabriel, quando assumo minha esquisitisse e fofura
ímpares
Quando a presença de espírito me visita
me vejo Victor ou Beatriz
No melhor abraço do mundo sou eu, mas sou Tadeu
Num 'olá' simpático sou Luis
Nas poucas vezes que me vejo bonita
Gabriela vem ao espelho
E posso ser tudo isso, tudo e mais um pouco
Porque tenho vocês e os levo comigo para todo lugar
(E vocês também me têm, infinitamente)





Inspirado no (como sempre) maravilhoso texto da Meire, do http://de-fora.blogspot.com/!
:)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fita de Cetim ou Capitão Ausência

Queria embrulhar o mundo para presente: dessa vez, era amor de verdade! Ela sabia que o era e queria dar todo o seu mundo por tal grandioso amor. Comprou metros e metros de cetim de várias cores para enfeitar uma vida enfeitada. O cetim acabava, mas jamais o amor, então voltava ao armarinho para comprar mais.
Mas seu amado se fazia o próprio Capitão Ausência, saía e na volta a entregava algumas migalhas de seu carinho. Saía e por vezes não voltava, apesar de se manter sempre perto o suficiente para aquecê-la e se aquecer de todo seu sentimento. E o cetim continuava sendo comprado, até o dia em que, debulhada em lágrimas, percebeu quão sozinha estava com seu amor e tanta fita comprada no atacado. Ninguém ao seu lado.
O cetim não acabava, mas lá embaixo estava sepultado seu amor infeliz.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sobre o beijo

O beijo ocorre quando
duas almas resolvem
brincar
de pega-pega.

Metalinguagem

A poesia
escorre
dentro de mim

Sobre o bolso

Havia tanto pano sobrando
que se decidiu:
De hoje em diante esses fiapos serão porta-ar
E assim foi.

Sobre a música

A música começou a existir
a partir do momento
em que alguém percebeu
a delicadeza do barulho da chuva batendo na porta.

Sobre o fim

O ciclo
acaba.

Sobre a morte

Só assusta pelo nome

Porque, afinal, é um toque de Deus

tanto quando no nascimento.

Sobre o violão

Me guarda tantos segredos
quanto o seu próprio silêncio.
E, de uma vida por todas,
PRECISO te decifrar.

Sobre o lençol

É o limiar
entre o que eu era antes de me deitar
e agora.

Sobre o fim de um ano

Dura apenas um segundo
porque no próximo
- surpresa!
já é "Sobre o começo de um ano"

Sobre o mundo

Curioso:
ele é mais confuso que eu...
Aqui dentro há pouco a se aproveitar
Eu tenho certeza de que, mesmo se você remexer bastante
Não encontrara nada que te apetece
Portanto, vamos abrir mão de tanta procura um pelo outro:
Você vai se arrepender depois, eu sei.
E eu estarei mais vazia,
ou mais satisfeita
- leia-se farta!
de tanta frustração

É claro: nós poderíamos tentar!
Talvez você descobrisse que gosta de remexer
e encontrar mais solidão.
E talvez dessa vez dessa vez eu encontre alguma alegria em dividir
um pedaço do meu nada com alguém.

Mas como sei que não vai dar certo, te peço:
por favor, vá embora. Encontre alguém que lhe valha a pena.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Resoluções de Ano(s) Novo(s)

É claro que daqui pro fim desse ano eu não vou conseguir fazer tudo isso, mas são as mudanças que vejo necessárias em mim para toda a vida, então, a minha lista vale até para sempre. Ou até eu mudar de idéia.

Aprender: a dar sem esperar receber de volta; lidar com a decepção; lidar com o futuro e, principalmente, com o passado; desapego; amar sem medo; dor; aceitar o corpo, ou não aceitar e fazer algo para mudá-lo; fazer algo para mudar; olhar, simplesmente; sorrir para todos; conviver com a tristeza sempre apregoada à existência; não aceitar a tristeza apregoada à existência; tomar sol sem me queimar; poesia; ser humilde nos desejos; me desligar de tudo, de vez em quando; escrever com algum valor literário; admitir as minhas fraquezas; parar de procurar um Amor; melhorar a vida de alguém; dar valor ao que eu tenho; assumir a culpa; assumir alguma responsabilidade; crescer; organização; dizer "eu te amo" para quem realmente amo, e somente para essas pessoas; não cutucar feridas; não fazer coisas que me façam sofrer gratuitamente; procurar, nesse turbilhão, o que represento; desaprender a fazer essas listas de fim de ano.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dentro desse chapéu
eu quero guardar:
minha música, o teu abraço,
uma bola laranja,
a minha família, um beijo,
um lenço colorido, um caderno
e uma caneta
solidão, aquela risada
tua, minha, em nós.
Eu escolho girar
nessa roda-gigante de amor.
Eu assumo o risco e espero na fila
e sigo em frente.
Em frente e girando, sempre.
Mas que espetáculo ínfimo e paradoxalmente voluptuoso que há em alguns instantes desse breve viver em si! Em que ponto de todo esse mundo se prendem tais capítulos mais alegres ou mais brilhantes de uma história? Em que momento uma história de uma pessoa passa a ser uma história de um mundo todo? Há de existir nessa vida um vasto quê de-viver em que tudo que vale se torna uma coisa só e um longo suspiro de adeus para sumarizar todo o resto.
Chegou a tal ponto, a tal desespero que concluiu que ali era o fim da linha. Última estação, ponto final. Já tinha sofrido demais. A partir dali, o telefone estaria mudo e o rosto, virado. Nem mais uma palavra. Acabado. Se sentia arrasada e incompetente por ter deixado que a vida chegasse naquele ponto. Mas estava decicido, não daria mais nenhuma brecha para aquela situação.
"Outra coisa: se tinha alguma dor e se enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo."
(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem)


E a dor continuava doendo.
E A DOR CONTINUAVA DOENDO.
E a dor SEMPRE continuava doendo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Comunicado público com destinatário individual e previsível

Senhor Rapaz-que-chegou-de-repente-e-ficou-por-tempo-demais,

Nós, da administração dessa eu-lírico maluca que lhe escreve, o informamos que o senhor acaba de receber uma ordem de despejo. Infelizmente, nós não o queremos mais por aqui, pois tens feito bagunça demais com os sentimentos dessa pobre eu-lírico apaixonada. O senhor tem um mês para juntar as suas coisas aqui dentro, se despedir dos destroços que ainda sobram e partir. Se, dentro desse mês, notarmos qualquer mudança no seu comportamento, essa será sumariamente ignorada, uma vez que nós já conhecemos essas suas reviravoltas para deslumbro. Você não é mais bem-vindo. Por favor, não relute como das outras vezes, o senhor já nos deu muito trabalho e, a ela, sofrimento por demais. Está proibido de tentar qualquer reaproximação, abraço ou palavra carinhosa, se limite a ser educado com nossa menina. Entenda quão delicada é a nossa situação, o estoque de lágrimas logo chegará ao fim, e está sendo difícil recolocar os móveis no lugar e assumir o controle novamente.
Esperamos não ter problemas com o senhor, que sabe que pode facilmente encontrar outra cabeça e/ou coração para importunar e se alojar.
Agradecidamente,

Administração de uma eu-lírica maluca e perdida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O ar da existência

Há, então, o medo da ausência. O medo do não-estar. O medo de não estar. Há, por enquanto, um ar etéreo que é o ar que existe entre muitos tantos solavancos. Há a saudade, a saudade e um aperto e uma falta de ar dessa certeza, e há uma certeza, há sempre uma certeza triste. Na verdade, há uma coragem. Há na vida um quê de coragem, um gesto de coragem: o amor. E no fim de uma história, ou depois do fim, o medo? O medo passa. Os solavancos se esquecem. A saudade não vai embora, mas se dispersa. Acomoda. Mas e o espaço, aquele deixado antes do fim da história? O amor ocupa. O amor ocupa e cura os machucados, a dor. Ocupa o silêncio, as lágrimas e o vazio. Se existe algo mais belo do que o amor, isso está guardado para depois. Enquanto não chegamos ao fim (ou depois do fim) dessa história, o apoio está na coragem, essa força que existe e quase nunca encontra uma brecha para aparecer. Se há algo mais belo do que a coragem no amor, isso está guardado para bem depois.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Se por vezes te pareci muito incrédula ou muito loucamente apaixonada, devo admitir que às vezes ajo por impulso, numa atitude quase maquinária, apesar de sempre sonhar com vôos sem mágoa por cima de tudo que já vivi e, principalmente, da vida que me espera a seguir, uma vez que é nesse futuro que estão guardadas as maiores surpresas, vivências e tristezas, como num circo sempre aceso.
Procuraria, dentro daquele microcosmo teu no qual me perdi
procuraria, incansável, um modo de fugir
Ah, como quero simplesmente escapulir do meu desejo
Pois já nem acredito mais que vai ser encontrando a ti
que vou me achar.
Concluí que meu encontro só se dará na ausência tua
ou na minha ausência em ti.
É que existem alguns impulsos que são maiores que eu, eles simplesmente vêm, e eu gosto da sensação de estar atuando sem decidir... Há uma coisa boa em deixar apenas as mãos escrevendo as palavras, sem muita escolha. É bom. Deixar os olhos piscarem e as lágrimas caírem por impulso. É como se tudo estivesse em harmonia, e como se o ato de escrever estivesse em comunhão, sei lá, com o coração, que é um músculo independente, age por necessidade e vontade própria. Ah, que meu coração escolha a poesia pela qual bater, e um mundo inteirinho de luz dourada pra brilhar tanto que as pessoas até duvidem. Eu gosto da comunhão específica e intracelular, intramolecular da existência, que existe entre eu e tudo que represento pra mim mesma. Porque isso é o que eu considero mais puro. O encontro de mim comigo mesma.
Eu nem saberia explicar o por quê de eu estar chorando agora, ainda mais porque não é facil alguém - até mesmo eu! - me ver chorando, já que eu não sou muito dada a esse tipo de entrega. Acho que ando hipersensível ultimamente, por alguma razão que desconheço. Alguma mudança na maré que eu ignoro e absolutamente não controlo.

Composição

A sua letra que é nova
mas, para mim,
a melodia já é antiga.