terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Aqui dentro há pouco a se aproveitar
Eu tenho certeza de que, mesmo se você remexer bastante
Não encontrara nada que te apetece
Portanto, vamos abrir mão de tanta procura um pelo outro:
Você vai se arrepender depois, eu sei.
E eu estarei mais vazia,
ou mais satisfeita
- leia-se farta!
de tanta frustração

É claro: nós poderíamos tentar!
Talvez você descobrisse que gosta de remexer
e encontrar mais solidão.
E talvez dessa vez dessa vez eu encontre alguma alegria em dividir
um pedaço do meu nada com alguém.

Mas como sei que não vai dar certo, te peço:
por favor, vá embora. Encontre alguém que lhe valha a pena.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Resoluções de Ano(s) Novo(s)

É claro que daqui pro fim desse ano eu não vou conseguir fazer tudo isso, mas são as mudanças que vejo necessárias em mim para toda a vida, então, a minha lista vale até para sempre. Ou até eu mudar de idéia.

Aprender: a dar sem esperar receber de volta; lidar com a decepção; lidar com o futuro e, principalmente, com o passado; desapego; amar sem medo; dor; aceitar o corpo, ou não aceitar e fazer algo para mudá-lo; fazer algo para mudar; olhar, simplesmente; sorrir para todos; conviver com a tristeza sempre apregoada à existência; não aceitar a tristeza apregoada à existência; tomar sol sem me queimar; poesia; ser humilde nos desejos; me desligar de tudo, de vez em quando; escrever com algum valor literário; admitir as minhas fraquezas; parar de procurar um Amor; melhorar a vida de alguém; dar valor ao que eu tenho; assumir a culpa; assumir alguma responsabilidade; crescer; organização; dizer "eu te amo" para quem realmente amo, e somente para essas pessoas; não cutucar feridas; não fazer coisas que me façam sofrer gratuitamente; procurar, nesse turbilhão, o que represento; desaprender a fazer essas listas de fim de ano.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dentro desse chapéu
eu quero guardar:
minha música, o teu abraço,
uma bola laranja,
a minha família, um beijo,
um lenço colorido, um caderno
e uma caneta
solidão, aquela risada
tua, minha, em nós.
Eu escolho girar
nessa roda-gigante de amor.
Eu assumo o risco e espero na fila
e sigo em frente.
Em frente e girando, sempre.
Mas que espetáculo ínfimo e paradoxalmente voluptuoso que há em alguns instantes desse breve viver em si! Em que ponto de todo esse mundo se prendem tais capítulos mais alegres ou mais brilhantes de uma história? Em que momento uma história de uma pessoa passa a ser uma história de um mundo todo? Há de existir nessa vida um vasto quê de-viver em que tudo que vale se torna uma coisa só e um longo suspiro de adeus para sumarizar todo o resto.
Chegou a tal ponto, a tal desespero que concluiu que ali era o fim da linha. Última estação, ponto final. Já tinha sofrido demais. A partir dali, o telefone estaria mudo e o rosto, virado. Nem mais uma palavra. Acabado. Se sentia arrasada e incompetente por ter deixado que a vida chegasse naquele ponto. Mas estava decicido, não daria mais nenhuma brecha para aquela situação.
"Outra coisa: se tinha alguma dor e se enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo."
(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem)


E a dor continuava doendo.
E A DOR CONTINUAVA DOENDO.
E a dor SEMPRE continuava doendo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Comunicado público com destinatário individual e previsível

Senhor Rapaz-que-chegou-de-repente-e-ficou-por-tempo-demais,

Nós, da administração dessa eu-lírico maluca que lhe escreve, o informamos que o senhor acaba de receber uma ordem de despejo. Infelizmente, nós não o queremos mais por aqui, pois tens feito bagunça demais com os sentimentos dessa pobre eu-lírico apaixonada. O senhor tem um mês para juntar as suas coisas aqui dentro, se despedir dos destroços que ainda sobram e partir. Se, dentro desse mês, notarmos qualquer mudança no seu comportamento, essa será sumariamente ignorada, uma vez que nós já conhecemos essas suas reviravoltas para deslumbro. Você não é mais bem-vindo. Por favor, não relute como das outras vezes, o senhor já nos deu muito trabalho e, a ela, sofrimento por demais. Está proibido de tentar qualquer reaproximação, abraço ou palavra carinhosa, se limite a ser educado com nossa menina. Entenda quão delicada é a nossa situação, o estoque de lágrimas logo chegará ao fim, e está sendo difícil recolocar os móveis no lugar e assumir o controle novamente.
Esperamos não ter problemas com o senhor, que sabe que pode facilmente encontrar outra cabeça e/ou coração para importunar e se alojar.
Agradecidamente,

Administração de uma eu-lírica maluca e perdida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O ar da existência

Há, então, o medo da ausência. O medo do não-estar. O medo de não estar. Há, por enquanto, um ar etéreo que é o ar que existe entre muitos tantos solavancos. Há a saudade, a saudade e um aperto e uma falta de ar dessa certeza, e há uma certeza, há sempre uma certeza triste. Na verdade, há uma coragem. Há na vida um quê de coragem, um gesto de coragem: o amor. E no fim de uma história, ou depois do fim, o medo? O medo passa. Os solavancos se esquecem. A saudade não vai embora, mas se dispersa. Acomoda. Mas e o espaço, aquele deixado antes do fim da história? O amor ocupa. O amor ocupa e cura os machucados, a dor. Ocupa o silêncio, as lágrimas e o vazio. Se existe algo mais belo do que o amor, isso está guardado para depois. Enquanto não chegamos ao fim (ou depois do fim) dessa história, o apoio está na coragem, essa força que existe e quase nunca encontra uma brecha para aparecer. Se há algo mais belo do que a coragem no amor, isso está guardado para bem depois.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Se por vezes te pareci muito incrédula ou muito loucamente apaixonada, devo admitir que às vezes ajo por impulso, numa atitude quase maquinária, apesar de sempre sonhar com vôos sem mágoa por cima de tudo que já vivi e, principalmente, da vida que me espera a seguir, uma vez que é nesse futuro que estão guardadas as maiores surpresas, vivências e tristezas, como num circo sempre aceso.
Procuraria, dentro daquele microcosmo teu no qual me perdi
procuraria, incansável, um modo de fugir
Ah, como quero simplesmente escapulir do meu desejo
Pois já nem acredito mais que vai ser encontrando a ti
que vou me achar.
Concluí que meu encontro só se dará na ausência tua
ou na minha ausência em ti.
É que existem alguns impulsos que são maiores que eu, eles simplesmente vêm, e eu gosto da sensação de estar atuando sem decidir... Há uma coisa boa em deixar apenas as mãos escrevendo as palavras, sem muita escolha. É bom. Deixar os olhos piscarem e as lágrimas caírem por impulso. É como se tudo estivesse em harmonia, e como se o ato de escrever estivesse em comunhão, sei lá, com o coração, que é um músculo independente, age por necessidade e vontade própria. Ah, que meu coração escolha a poesia pela qual bater, e um mundo inteirinho de luz dourada pra brilhar tanto que as pessoas até duvidem. Eu gosto da comunhão específica e intracelular, intramolecular da existência, que existe entre eu e tudo que represento pra mim mesma. Porque isso é o que eu considero mais puro. O encontro de mim comigo mesma.
Eu nem saberia explicar o por quê de eu estar chorando agora, ainda mais porque não é facil alguém - até mesmo eu! - me ver chorando, já que eu não sou muito dada a esse tipo de entrega. Acho que ando hipersensível ultimamente, por alguma razão que desconheço. Alguma mudança na maré que eu ignoro e absolutamente não controlo.

Composição

A sua letra que é nova
mas, para mim,
a melodia já é antiga.

domingo, 30 de novembro de 2008

Adeus

- Amanhã eu vou embora.
- Não vamos conversar sobre isso.
- Como assim?
- Eu não quero falar sobre isso agora.
- Mas se não for agora, quando?
- Nós não vamos continuar nos vendo?
- Não sei como vai ser depois.
- Como assim?
- Eu não quero voltar aqui nunca mais.
- Nem pra me ver?
- Me desculpe...
- Mas...
- É por isso que eu preciso me despedir.
- Eu não quero ter que me despedir de você. Eu quero continuar te vendo... nem que seja só de vez em quando.
- Nós vamos voltar a nos encontrar, de vez em quando.
- Então por que você quer dizer adeus agora?
- Porque talvez a gente precise disso.
- Eu não preciso. Eu não quero te dizer tudo que eu tenho pra falar. Não agora.
- Mas é agora que você tem pra falar. E talvez nunca mais.
- Mas você acabou de dizer que a gente vai voltar a se ver...
- Algum dia...
- Eu sei. Eu sei que é só algum dia e não todos os dias!
- Exatamente. Se a gente não conversar agora, talvez você jamais possa dizer tudo o que diz ter pra falar.
- Eu guardei todas essas coisas pra te dizer só no dia do adeus.
- Você ainda não entendeu que hoje é o dia do adeus?
- Claro que entendi. O que você não entendeu é que eu não quero dizer adeus.
- Eu sei... me desculpe...
- Eu não quero te dizer adeus porque não quero ver você indo embora, porque sei que ao ir, você nãp vai dar nem uma olhada pra trás pra ver que estarei chorando por sua causa. Não quero te dizer adeus porque eu tenho medo de como vai ser meu dia-a-dia sem você me apoiando, você que tem sido o meu porto seguro o tempo todo. Não quero te dizer adeus porque não poderia deixar você ir embora sem admitir que apesar de ser só meu amigo, você representa muito mais que isso, você representa o primeiro amor - seja lá o que isso queira dizer -, a primeira vez que eu senti em alguém um sentido para mim. Foi o primeiro, até hoje o único, provavelmente o mais inesquecível. Eu não quero dizer adeus porque venho pensando há tempos sobre as coisas que eu tenho pra falar e sei que, ao dizer adeus, não vou conseguir falar tudo e depois vou ficar me sentindo mal por isso. Eu não quero te dizer o adeus porque não quero te admitir o amor.
- ... nem sei o que falar...
- Você não tem que dizer nada sobre o que eu disse, porque eu não disse nada. Mas agora vá, vá embora amanhã e não me procure para se despedir. Eu não vou dizer adeus a você.
Eu queria apenas lembrar que espontaneamente não quero aceitar o mundo desse jeito, com pessoas que eu amo tanto, com tanto carinho que eu tenho guardado para usar, de repente, com certo medo de tudo o que eu não sei o que é, de tudo que eu não sei como funciona, tenho que admitir que ver o fim chegando é pior do que ele mesmo. É como uma saudade de um tempo que ainda não passou. É como se uma nova vida, diferente da que é a minha de verdade, derramasse devagar seu féu através dos olhos que não se fecham, apenas olham para o outro lado. Não há nenhum pensamento otimista aqui. Há apenas o medo de um dia escuro que chega ao fim sem que a chuva passe. Sem nem ao menos que a chuva chegue.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim;

"Não, não fuja não!
Finja que agora eu era o seu brinquedo, eu era o seu peão,
o seu bicho preferido!"

Hoje eu olhei pro céu e me esqueci que eu já nem tenho mais seis anos de idade, e me esqueci que parecia que ia chover porque as nuvens estavam tão cinzas e tão grandes e tão densas... Mas olhei pra cima e vi que a nuvem parecia um dragão, um dragãozão de conto de fada!
Fiquei imaginando esse dragãozão sobrevoando a cabeça de tantas pessoas inadvertidas do perigo que as seguia, mas não pelo perigo real que um dragão carrega consigo (de uma possível destruição em massa após uma baforada de fogo), mas o perigo mais sério que se pode haver entre adultos: a completa ignorância.
Aprendi em algum momento que a tristeza é a única leveza em um adulto, algo que é considerado seguro e quentinho, a única coisa não-palpável em que adultos acreditam e parecem almejar é essa coisa de ser triste, sempre igual, sempre previsível. A segurança da previsibilidade.
Eu, enquanto criança, desejava apenas ser adulta. A grande, responsável, cheia de glórias e nem eu mesma sei o que eu esperava que viesse junto com a "adultidão". Hoje olho pro mundo adulto - um mundo do qual eu nem pertenço direito - e sinto muito medo, medo de me tornar uma pessoa com essa cabeça fechada e desinteressada que os adultos têm.
Então resolvi que quero crescer brincando de ver dragões em nuvens, brincando de encontrar segredos dentro do liqüidificador, brincando de ir vivendo em paz.

:)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tenho a vida leve pra você levar. Pois leve contigo qualquer resquício de que você já esteve comigo, e saiba que vagar em vão não vai resolver. Você vai procurar motivos para não assumir que viu em mim algo que queria para você, seja lá o que for. Você vai embora, e deixar em mim apenas lembranças, vagas noturnas de um filme que não teve final feliz. Na verdade, nem fim eu vi nesse filme, não vi nem vivi. Mas quero que vá, vá em paz comigo e contigo, que eu fico aqui. Fico assistindo os próximos personagens bem-vindos no meu vídeo, que você encontre os seus. Que você viva leve a sua vida, e entenda que viver jamais será em vão, sem véu, meu céu.

O espelho

Resolvi aderir à causa anti-espelho. Os evito todos, todos que cruzam meu caminho: viro o rosto, viro o corpo, para jamais olhar naqueles olhares de vidro, aquele sorriso de vidro, tal corpo de vidro.
Meu problema é que espelhos me distorcem. Não a imagem, mas meu caráter. Vejo no espelho polido apenas uma imagem que não me agrada junto de um caráter distorcido, torto, uma coisa que não é minha. Não sou eu lá. Lá é apenas algo que não me pertence refletido, sem matéria, apenas imaginação.
Hoje talvez você me veja com olheiras profundas, ou a maquiagem borrada, e quem sabe depois do almoço com um pedaço de alface entre os dentes, mas lembre-se que eu não conheço aquela pessoa me imitando do outro lado de um pedaço de vidro. Eu nem gosto dela, porque ela tem olhos de vidro, um sorriso de vdro, tal corpo de vidro.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

... mas eu não sô daqui não! Eu sô é de algum outro lugar, uma terrinha minha em que eu posso plantar todos os meus sonhos e regar, e ver se crescem, se vingam. Não sou desse lugar de gente ruim, gente sozinha não. Na minha terra todo mundo é bem vindo, até quem eu nem conheço. Lá todo mundo tem o dever de ser feliz, correr atrás do sorriso, correr atrás de viver feito criança de novo. Eu num sô daqui, não quero ser daqui, e vô é procurar meu canto, meu cantinho com cheiro de terra de novo.

sábado, 8 de novembro de 2008

Corpo Humano:

Eu quis te encontrar
Perdido, desencontrado
entre as curvas complexas das minhas veias.
Rapaz, todas essas veias ou vão ou voltam do mesmo lugar
E é pra lá que você tem que ir
Não tem perigo, moço, é só seguir o fluxo.
É o que eu quis dizer.
Mas quando fui ver
você já tinha encontrado seu alvo nas minhas veias complexas
E eu não sabia onde eu estava
pois as suas veias não formam curvas:
são um labirinto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Texto igual 1

Tenho sonhado contigo nos últimos tempos... sonhado com seu olhar penetrando o meu... devagar, célula por célula, me tomando por inteira...
tenho sonhado com suas mãos, entrelaçando-se com as minhas do modo mais suave possível, encontrando entre meus dedos o espaço perfeito para encaixar os seus... tenho sonhado com seus beijos, os beijos mais macios, os primeiros lábios que me ganharam no mundo too.
Sonhado com tua voz me ninando mesmo enquanto está só me contando uma piada...
Mas, dentre todos os meus sonhos, só consigo me lembrar de que sonho com o dia em que te terei comigo mais uma vez, com seus olhos, suas mãos, sua boca e sua voz, com seu nome e as piadas de sempre.
Me pergunto se um dia serei tua de novo...

Texto igual 2

Nossas mãos se encaixam de modo perfeito, como se os dedos pedissem para se entrelaçar a toda hora. Como se o toque fosse necessário para que nosso mundo continue gigante, girando em paz.
Nossos olhos parecem precisar um do outro para que a visão não definhe, para não parecer cegueira, escuridão.
Minha boca descobriu que precisa da tua, precisa dela junto à mim, assim como você inteiro. Assim como tudo que te rodeia;

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sobre o tempo

Não digo pensar que ele pare
mas sei que perde a pressa
Quando você está longe
Ele olha no relógio e pensa
"Pra quê me preocupar para que a hora esteja certa?
Ela pode esperar"

E eu? Ah, eu espero.
E ele vem lento.
Quando você chega?
Ele finalmente acorda
e faz o mundo correr. E como corre!
Até o momento em que você diz
"Até amanhã!"
Mas o tempo e o amanhã param pra conversar
horas a fio, quase não chegam...
Mas eu?

Eu espero.

Clarissa

Eu acho que ela nem sabe que eu gosto tanto dela.
Eu acho que, entre todas as minhas amigas, ela é a que menos sabe que eu a amo.
Parece-me que ela tem medo que cheguem perto, então eu não me aproximo. Só aos poucos, de vez em quando, tento encontrar quem é essa menina que está sempre por perto e sempre tão longe (às vezes chego a sentir saudades...).
Ela me reprime de vez em quando, e tenho que admitir que tenho raiva quando ela tem razão, o que acontece quase sempre.
Mas o que eu mais amo nessa garota é que com ela, não são necessárias palavras. Quase nunca preciso falar para que ela me entenda (quanto ao contrário... bem... acho - e espero - que também é válido), e quando estou triste, ela não abre a boca, não fala nada para me consolar. Só me deixou claro desde sempre que seu ombro também é meu se eu precisar chorar.
Também não sei se ela sabe, mas já chorei em silêncio nos seus ombros, sem falar nada. Nem sei se ela percebeu.

Agora, lidar com o fato de que minha menina vai pra longe? Não, não quero acreditar ainda.

Contra-o-fluxo

Me sinto na contra-mão. Enquanto todos inventam modos racionais de encarar o mundo, venho ao contrário, passeando e olhando a movimentação das formigas. As pessoas acelerando partículas para simular um segundinho que aconteceu há tanto tempo que ninguém tava lá nem pra contar a história, e eu buscando um futuro no qual me apoiar! O mundo procurando mais e mais jeitos científicos de explicar o mundo e eu, procurando poesia na vida! Devo ser mesmo uma excêntrica...

Classificados: Coisas que eu procuro

Procura-se desesperadamente: óculos que possam esconder algumas realidades; um pedacinho de nuvem que me leve para algum lugar bem longe; borboletas azuis; um céu cor-de-rosa; versos; alguém que me dê o ombro para chorar (aceito comutação de ombros: os meus pelos dele(a)); o Sol; uma infância muito alegre; CDs do Vinícius de Moraes; um abrigo mais seguro; a minha solidão necessária; algumas lágrimas que deixei cair sem querer; um pouquinho mais de mim.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

E o tempo?

"Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar
A vida inteira de um inseto
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar um salário
Ser campeão da copa do mundo
Um dia em Saturno
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão
Daqui a um mês quando você voltar
A lua vai estar cheia
E no mesmo lugar"

(Biquini Cavadão - Quanto tempo demora um mês)


E um ano? Quanto tempo demora um ano inteiro?
Hoje, depois de um ano inteiro de vida, me vejo e decepciono-me. Mesmo após tanto tempo desde aquela noite, mesmo após tantas reviravoltas, tantos dias diferentes...
Sou igual, completamente igual ao que era na época! Em vários aspectos, não, eu cresci, aprendi mais um pouquinho a jogar nessa vida, conheci outras pessoas, enchergo algumas coisas de modo diferente...
Agora, quanto a você, tenho que admitir que eu não mudei. Sou a mesma pessoa, mesmíssima, te vejo com os mesmos olhos, com o mesmo friozinho na barriga, batendo os dentes como sempre... Espero você chegar e se aproximar, como fazia antes. Sinto tua presença como um calor irrompendo aqui dentro, como antes. Olho para você com vontade de chegar mais perto, como antes.
Nossa relação teve algumas mudanças, eu sei, nós até aprendemos a telepatia! Até aprendemos a nos sentir bem um com o outro...
Mas de resto, continuo te olhando com o olhar apaixonado, e você, me olhando com o olhar de um amigo, um grande amigo. E só;

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mais uma vez;

Hoje você segurou minhas mãos e disse que tudo ficaria bem, afinal o dia sempre acaba e só o que continua aqui somos nós e uma possível lembrança de um ontem pouco feliz...
E foi só quando você (você, e apesar de todo mundo ter dito o mesmo, da sua boca pareceu tão mais real, tão mais composto pra mim...) me disse isso que eu consegui aceitar minhas bobagens todas e olhar pro mundo com meus olhos de sempre.
Agora você me domina completamente e sabe disso, você sabe sempre.
Querido, entenda que você resume muitas das coisas que eu não posso entender. Você está sempre lá quando eu penso em alguém. Você me ganhou na fofura...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

E quando eu te encontrar de novo, sei que vou fugir. Sei que vou procurar qualquer nuvem ao meu alcance pra me perder do teu olhar. Vou rodar o quarteirão ao contrário, você não vai conseguir nem me ver. Nem me sofrer de novo.
E enquanto eu puder, vou encontrar outro jeito de viver: sem você. Sem jamais te tocar. Queria te deixar de sobreaviso, apesar de saber que você nem se importa muito. Apesar de saber que por você, tanto faz.
Se um dia eu conseguir esquecer o que você representa pra mim, talvez possa dissipar minhas nuvens e caminhar o quarteirão no sentido certo novamente. Então nos cruzaremos e quase não saberemos quem você é, quem eu sou. Talvez possamos nos conhecer de novo, nos apresentar um ao outro como se jamais tivéssemos estado juntos.
Até lá, não procure por mim. Não olhe pra porta esperando que eu entre e te abrace. Eu sei, você não se importa, mas não espero nada. Esqueça de mim.



--

A: Não sei, elas insistem em cair...
B: Quem? Como cair?
A: Minhas lágrimas. Agem sozinhas, caindo como se tivessem ficado maduras demais...
B: Posso te abraçar e limpá-las pra você?
A: Pode tentar, mas não vai conseguir estancar o choro. Mas agradeço!
B: É melhor tentar, se não fizesse nem isso, me sentiria culpado demais.
A: Mas você é o culpado.
B: Do quê?
A: Delas estarem caindo desse jeito.
B: Não entendi...
A: Choro por sua culpa, só sua. Sua culpa.